Tocantins - 04/12/2020 - 15:03

CALAMIDADE: O povo do Jalapão pede socorro outra vez

Postado em 11/02/2020

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População fica cada dia mais isolada por causa da calamidade das estradas.  Um drama vivido por moradores do Jalapão revela o descaso com as rodovias que ligam o resto do mundo ao paraíso natural

O que adianta a região do Jalapão ser a mais bela do Tocantins? Abrigar dunas e as lagoas de águas cristalinas, cachoeiras, além dos famosos fervedouros, se por trás de todo esse tesouro existe um cenário de calamidade? O povo jalapoeiro pede socorro outra vez.

As estradas que ligam os municípios que compõem a Região estão intransitáveis, e não é de hoje. A cada ano que passa a situação piora para quem precisa se deslocar, não somente em busca de aventura, mas também de tratamentos de saúde na Capital Palmas, fornecimentos de mercadorias e suprimentos, ou outros diversos compromissos. 

Os atoleiros são constantes, principalmente nas rotas que ligam os Municípios de Lagoa do Tocantins e Novo Acordo a São Félix. São carros, caminhões com medicamentos, suprimentos que mantém toda a população. As imagens recentes mostram ainda que se formam congestionamentos, e a união da população e de quem passa e sempre socorre os que precisam de ajuda. 

No entanto, só a solidariedade não resolve a situação de um povo que sofre anualmente com a falta de manutenção das estradas e a promessa do tão sonhado asfalto nunca é concretizada. 

Povo pede socorro

Um grupo do aplicativo WhatsApp foi criado recentemente com intuito de unir forças para lutar em prol da melhora das estradas do Jalapão. Com mais de 200 componentes que manifestam seu anseio de poder ter acesso aos locais sem atolar na estrada. O grupo usa a mesma voz para pedir socorro. 

Para quem transita pelo local semanalmente, os atolamentos são rotina, como conta o odontólogo do Município de São Félix, Marcus Brandão. “Todos temos o conhecimento que isso não diz respeito ao Município, é uma responsabilidade do Estado, que tem a obrigação de manter e dar uma resposta aos anseios da população que tanto sofre com esse problema. Isso já virou uma rotina, e é triste”. Marcus Brandão retrata a indignação da população, que mostra o ponto de vista dos moradores. “A maior polemica nos grupos, é essa questão de as agências de turismo ficarem questionando que vão ter prejuízos e tudo mais, se as estradas forem arrumadas, querendo colocar os interesses deles em primeiro lugar, desqualificando os interesses da população que tanto sofrem”, desabafa. 

Prejuízos, sofrimentos, pacientes que tanto sofrem quando dependem de um transporte de urgência, gestantes, pessoas com urgência de atendimento, e o carro quebra, fica na estrada: “São por essas pessoas que estamos na luta por um direito nosso: TER ACESSO. Não é só o turismo que vive, porque antes do turismo já tinha uma população que já vivia aqui”, reivindica Marcus. 

A administradora do grupo Leoneide Alves Ribeiro, afirma que a luta não é com as agências de turismo e nem com os empresários, tanto é que muitos deles estão apoiando as reivindicações. “Deputados e governador são sabedores da nossa situação, os políticos grandes vão de avião em eventos e ainda são aplaudidos por quem depois vai empurrar seus carros e pagar uma manutenção caríssima em Palmas”, ressalta. Leoneide ainda reforça: “A união da comunidade tem se tornado a força maior, para driblar o problema e chamar a atenção para a situação. Não podemos baixar a cabeça para governo que vem aqui fazer campanha em cima dos problemas da população, só fazer discurso midiático e vão embora, vem de avião, não passam o que a população passa nessas estradas, infelizmente”, diz ele. 

Governos buscam solucionar problema

O prefeito de São Felix,  Marlen Ribeiro também entra na luta e busca ajuda com o Governo do Estado. “Entramos em contato com o prefeito Nonato, de Lagoa e solicitamos parceria para tirar os carros que estão atolados, alguns aqui do Município e outros particulares. Fizemos gestão junto a Ageto (Estado), hoje está saindo uma força tarefa para a estrada da Lagoa, apesar de lá não ser uma TO, mas por estar bastante transitada, já que muitos veículos estão deixando de passar pela TO para ir por lá. Então o Estado irá fazer essa recuperação desse trecho que está critico, e posteriormente virão para a TO mexer nas ladeiras. Vamos acreditar, pois nos prometeram que farão a manutenção constante. Eu acredito que a ideia do grupo foi excelente, e que continuemos nesse monitoramento. É louvável continuarmos a mobilizar os órgãos para que não seja paliativo, mas constante. Sabemos que o asfalto é uma realidade distante, mas nós precisamos ter estradas trafegáveis. Preocupar sim com o turismo porque é uma fonte de renda para o Município, para a Região do Jalapão. Mas primar pela qualidade de vida dos moradores. A Prefeitura está à disposição. Infelizmente pela situação financeira que se encontram as Prefeituras não dá mais para cumprir uma obrigação que não é da gente, deixando faltar alguma coisa no Município em detrimento dessas ações”, disse. 

O outro lado enquanto o povo sofre

Na manhã do dia 10 de fevereiro deu início a uma expedição ao Jalapão comandada pela senadora Kátia Abreu (PDT). Com ela, amigos, empresários do setor turístico e amantes do turismo de aventura, vindos do Maranhão, Piauí e Distrito Federal. 

A expedição Weverton Rocha, da qual a senadora faz parte, é dirigida pela Tropical Adventure, uma empresa com mais de 20 anos de atuação no campo do turismo, especializada em roteiros de aventura e ecoturismo, com sede em Barreirinhas (MA) cidade que é o portal de entrada para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

A expedição tem como proposta registrar as belezas da região e mostrar ao Brasil e ao mundo a identidade única do lugar que se tornou destino certo de muitos brasileiros e até estrangeiros. Todo o percurso será feito em veículos do tipo UTV, utilitários multitarefas.

Uma voz que grita

A cada ano a realidade continua praticamente a mesma, ou pior, para os moradores do Jalapão. Buracos, atoleiros e trechos intransitáveis por todo percurso. “Queremos somente o que nos é de direito. Estamos esquecidos no tempo. E quem pensa que o problema das estradas do Jalapão, se resolve com o fim do período chuvoso, se engana. Quando o tempo fica seco, a quantidade de terra é tanta que os veículos ficam atolados também”, concluir a moradora Leoneide Alves. 

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