Tocantins - 02/12/2020 - 09:47

A difícil missão de ser Mulher

Postado em 15/04/2018

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por Wenina Miranda – folhadojalapao@gmail.com

 

 

O mês de março é usualmente marcado por comemorações ao Dia Internacional da Mulher. Todo dia 08 de março as felicitações são comuns, seja nos locais de trabalho, escolas, repartições públicas e até mesmo em eventos promovidos pelas prefeituras e nas redes sociais, as homenagens acontecem. Em forma de flores, chocolates ou cartões, todos enaltecem qualidades das mulheres, como a garra e a perseverança.

 

 O momento festivo não pode esconder a dura realidade que nós mulheres vivenciamos no dia a dia. As abordagens machistas, o assédio moral e sexual, o medo de muitas vezes andar sozinha a noite ainda são práticas comuns na realidade feminina.

Um caso clássico de assédio e ameaças que resultou em tragédia foi o recente assassinato da professora Daniele Grohs, que foi executada por seu ex-marido, o médico Álvaro Ferreira em sua própria casa.

Além da própria execução, a decisão do juiz titular da 1ª Vara Criminal, Gil de Araújo Corrêa, de soltar Álvaro e determinar sua prisão domiciliar, publicada na véspera do Dia da Mulher, é mais um “soco no estômago”, daqueles difíceis de aguentar. É uma afronta não apenas à memória de Danielle, mas também de tantas mulheres que nos últimos anos foram assassinadas por ex-companheiros, como a servidora pública Heidy Aires, morta em 2014.

Ainda neste mês, que deveria ser de homenagens e lutas, outra perda tem abalado o país: a execução da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco no dia 14 de março. Esta, além de mulher, negra, ativista e defensora das pautas ligadas aos Direitos Humanos.

Esses tristes casos só engrossam as estatísticas. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a cada 120 minutos uma mulher foi assassinada no Brasil em 2016. Quando se fala em mulheres negras, esse percentual é ainda mais assustador: 22% é o aumento de mortalidade entre 2005 e 2015, de acordo com o Atlas da Violência.

Diante dessa realidade tenebrosa, o que podemos esperar do futuro? Até quando os assassinos estarão à solta? São perguntas que ainda não conseguimos responder.

E como disse nossa companheira jornalista Roberta Tum em recente artigo: “A todos os homens que seguem executando mulheres, batendo, espancando, diminuindo e humilhando, só me resta dizer que resistimos: mulheres e sociedade organizada”. (Wenina Miranda)

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