Jalapão abriga pinturas rupestres de 2 mil anos que estão ameaçadas por queimadas e desmatamento

por Wenina — 19/09/2024 às 13:16 — em Cidades, Destaques

No Jalapão já foram identificados 16 sítios arqueológicos. No paredão é possível encontrar figuras que estão a cinco metros de altura.

Queimadas e desmatamento podem comprometer as pinturas rupestres que estão há cerca de 2 mil anos em paredões de pedra no Jalapão. Na região já foram identificados 16 sítios arqueológicos pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan). Em alguns locais é possível ver danificações provocadas por fogo e depredações.

Os focos de incêndio que atingem o Parque Estadual do Jalapão são monitorados para evitar que se espalhem e se aproximem dos atrativos turísticos. No dia 14 de setembro o fogo chegou até margens do Rio Novo e turistas que estavam no local conhecido como Prainha registraram as chamas consumindo a vegetação. O rio é considerado um dos maiores de água potável do mundo.

Mateiros e Ponte Alta do Tocantins, que ficam na região, estão entre as 10 cidades com mais focos ativos. Para ajudar na preservação, o Instituto tem procurado donos de fazendas e empresas especializadas em conservação.

“Dentre as ações preventivas que podem ser feitas para evitar o avanço do fogo nesses sítios, está tirar todo elemento combustível próximo dos paredões, fazendo um aceiro que tem que ser regularmente refeito para evitar que o fogo avance. Neste caso aqui nesses sítios, o Iphan contratou a empresa para fazer um serviço de conservação”, explicou o arqueólogo do Iphan, Romulo Macedo.

Segundo o arqueólogo, em seis sítios arqueológicos foram contratadas empresas para cuidarem dos serviços de conservação.

No paredão é possível encontrar figuras que estão a cinco metros de altura. Segundo os pesquisadores, isso pode indicar que o local passou por mudanças drásticas no clima e vegetação. Outro fator seria de que os povos pré-históricos tinham um conhecimento mais avançado do que se imaginava.

“No passado ou havia árvores aqui nessa região permitiram eles subir até àquela altura e fazer as gravuras, ou eles faziam andaimes que permitiram a eles acessar esses locais mais inacessíveis”. contou Romulo.

Para o historiador, Gilson Nolasco, as descobertas feitas nos sítios podem representar oportunidades para os moradores, como forma de turismo cultural.

“Quando você traz alguns desses sítios para serem conhecidos através de ações ligadas ao turismo cultural, você também trabalha na educação, na conscientização, na valorização, e você acaba incentivando a formação de uma consciência preservadora, preservacionista, digamos assim, e uma identificação com esse material”, disse.

Segundo a equipe arqueológica, as ocupações humanas nessas áreas recuam até 12.000 anos atrás e formaram sítios arqueológicos durante o período pré-colonial, até o contato com os colonizadores europeus.

Também podem ser encontradas estruturas relacionadas à arqueologia do período histórico, significativas da ocupação dessa área de contato da Floresta Amazônica com aquelas do Brasil Central, o bioma Cerrado.

Fonte: G1-TO

Compartilhe no:
MAIS NOTÍCIAS

Você pode gostar

Moradores comemoram recapeamento nas Arnos em obra da Prefeitura de Palmas

Obras avançam na avenida NS-01 com aplicação de Concreto Betuminoso Usinado a...

Prefeitura de Palmas concede novas progressões a servidores da Educação e alcança mais de 2,6 mil benefícios na gestão

Medidas reforçam a valorização profissional e o cumprimento dos direitos da carreira...