Debates e construção coletiva da Carta de Encaminhamentos marcam 2ª Semana do Patrimônio Cultural do Tocantins

por Jornal Folha do Jalapao — 25/08/2025 às 15:24 — em Estado

Encerrada nesta sexta-feira, 22, o evento destacou a socialização do patrimônio cultural como caminho da preservação e reuniu especialistas, gestores e estudantes em Palmas


A 2ª Semana do Patrimônio Cultural do Tocantins foi encerrada nesta sexta-feira, 22, se destacando como espaço de reflexão e articulação em torno da preservação da memória e das identidades tocantinenses. Realizado na Universidade Federal do Tocantins (UFT), o último dia de atividades foi marcado por debates sobre patrimônio, turismo, educação patrimonial e a construção coletiva da Carta de Encaminhamentos, documento que norteará futuras ações da política de preservação cultural do Tocantins.

O evento, promovido em parceria pelo Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Ministério da Cultura e Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), além de outras instituições, reuniu especialistas, gestores, estudantes, artistas e mestres da cultura popular, e representantes municipais.

Como ponto chave do encontro foi elaborada a Carta de Encaminhamentos, consolidando propostas e diretrizes discutidas ao longo da semana. O documento será entregue à Secretaria de Estado da Cultura e a parceiros institucionais como o Ministério da Cultura, o Iphan e o Ministério Público do Tocantins, visando fortalecer políticas públicas de preservação e gestão do patrimônio cultural.

Um dos pontos da Carta foi destacado por Rodrigo Machado, que falou em nome da comissão de sistematização. “A Carta reafirma o compromisso coletivo de reconhecer o patrimônio cultural como direito de todos e a responsabilidade compartilhada. Ela orienta o poder público, mas também convoca a sociedade civil a assumir o protagonismo na preservação e valorização de nossas memórias”.

O superintendente de Incentivo e Fomento à Cultura da Seduc, Antônio Miranda, destacou o sucesso e a relevância da semana. “Um momento ímpar para o Tocantins, pois é a primeira vez que as esferas discutem coletivamente sobre políticas que venham de encontro a preservação do patrimônio cultural, demonstra preocupação do governo com a memória do povo. A carta de hoje [sexta-feira, 22],  é um fechamento de todas essas discussões, para tomar diretrizes para esta política de preservação cultural”, afirmou.

O superintendente substituto do Iphan Tocantins, Danilo Curado, falou da importância deste trabalho em conjunto e trouxe um recado em áudio do presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Leandro Grass, que agradeceu a parceria com a Secult no que tange à educação patrimonial, ele afirma que esse diálogo e essa cooperação renderão frutos de preservação e cidadania para o Tocantins.

A assessora de gabinete da Secretaria da Cultura do Tocantins, Lara Faez, destacou a excelência de toda equipe que esteve na organização e ressaltou a importância da Carta de Encaminhamento como um marco de continuidade. “Tivemos uma atuação conjunta em prol do acontecimento desta semana; é enriquecedor ver as instâncias governamentais e a academia trabalhando em conjunto para promover esta pauta, que é muito importante e revela um avanço na proteção do nosso patrimônio cultural”, afirmou.

Para muitos participantes, a experiência foi transformadora. A estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFT, Maria Eduarda, avaliou o evento como um espaço de pertencimento. “Ver como o patrimônio pode ser compreendido não só como herança, mas como prática viva que nos une, foi inspirador. Uma forma de olhar para a nossa história para preservar o futuro, saio daqui com mais clareza sobre o papel da juventude nesse processo”, finalizou.

Encerramento

A programação de encerramento da Semana do Patrimônio Cultural, nessa sexta-feira, 22, começou com o Painel VII – Socialização do Patrimônio Cultural como Caminho da Preservação, mediado pela professora Ana Cláudia, da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ela ressaltou a relevância de conectar a sociedade à memória viva de seus territórios. “Mais do que conservar, precisamos socializar o patrimônio, aproximando-o da comunidade. É nesse contato que a preservação se torna uma prática cotidiana, e não apenas uma obrigação institucional.”

As discussões trouxeram olhares diversos: a professora Renata Ferreira da Silva, da UFT, apresentou o projeto Roteiro de Afetos, ressaltando a importância do vínculo emocional das comunidades com sua história; o projeto de Audiotour Patrimonial é desenvolvido pela UFT, em parceria com o Iphan e visa conectar moradores e visitantes do município de Natividade, às histórias e às lendas locais por meio de narração de áudio.

Já a pesquisadora Etiene Fabrin, da UFT, destacou a relevância do patrimônio paleontológico e sua divulgação científica para ampliar o interesse da sociedade. Ela destacou o Sítio Paleobotânico do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Tocantins (Monaf), preservado na região de Filadélfia, com fósseis datados de mais de 250 milhões de anos, reconhecido não só como patrimônio tocantinense, mas também mundial.

O arqueólogo Rômulo Negreiros, do Iphan, compartilhou experiências sobre a socialização do Sítio Caititu, em Lajeado, enfatizando a necessidade de tornar o patrimônio acessível à comunidade local. Na mesma linha, o professor César Bressanin, da UFT, demonstrou como os roteiros geoturísticos podem se tornar instrumentos de preservação e desenvolvimento sustentável. A programação seguiu com a apresentação de Guilherme Tiezzi, que refletiu sobre o valor socioambiental da “Floresta Caseara”, e de Ana Flávia Borges, do Sebrae, que abordou o turismo como vetor de valorização econômica e cultural do patrimônio.

Durante a mesa, o mediador Rômulo Negreiros, do Iphan, reforçou a importância da coletividade nos processos de preservação. “O patrimônio só ganha sentido quando está ao alcance de todos. A socialização garante que ele deixe de ser apenas memória registrada e passe a ser experiência vivida pela comunidade”, frisou.

Semana do Patrimônio Cultural 

Entre os dias 18 e 22 de agosto, a programação envolveu palestras, oficinas, visitas técnicas, mesas-redondas e apresentações artísticas. Foram destaques o 2º Seminário de Arquivos Históricos Documentais, o 2º Encontro de Gestores Municipais de Cultura e o 2° Fórum do Patrimônio Cultural, que promoveu discussões diárias sobre temas como conservação de acervos, educação patrimonial, gestão de documentos e valorização de manifestações culturais.

A 2ª Semana do Patrimônio Cultural do Tocantins promoveu uma transversalidade das esferas, que teve como objetivo consolidar uma agenda de preservação do patrimônio cultural tocantinense, valorizando tanto os bens materiais quanto o patrimônio imaterial, que compõem a identidade do estado. 

Fonte: Secom-TO

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