Brasil publica resultados de testes de primeira vacina 100% nacional

por Jornal Folha do Jalapao — 10/10/2025 às 08:19 — em Geral

SpiN-TEC, desenvolvida com fomento do MCTI, tem comprovação de segurança contra a covid-19 e avança para fase final de estudos clínicos. Investimento foi de R$ 140 milhões

O Brasil alcançou um marco inédito na área de ciência e tecnologia em saúde com a publicação do primeiro artigo científico sobre os resultados dos testes de segurança da vacina SpiN -TEC — o primeiro imunizante 100% nacional contra a Covid-19. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) investiu R$ 140 milhões no desenvolvimento da vacina, por meio da RedeVírus , apoiando todas as etapas de testes, desde os ensaios pré-clínicos até as fases clínicas 1, 2 e 3.

A SpiN -TEC adota uma estratégia inovadora, a imunidade celular: ela prepara as células para que elas não sejam infectadas e, caso a infecção ocorra, essa vacina capacita o sistema imunológico a atacar apenas as células atingidas que são destruídas. Essa abordagem mostrou-se mais eficaz contra variantes da Covid-19 nos ensaios em animais e em dados preliminares em humanos.

“Esse artigo é um marco histórico. A SpiN -TEC é uma vacina que oferece uma imunidade mais ampla e duradoura, capaz de responder a diferentes variantes do vírus. Se os resultados se confirmarem nas próximas fases, teremos uma mudança no conceito de imunização da Covid-19”, ressalta o pesquisador Helton Santiago.

A vacina foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed). O recurso é do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), gerido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

A fase 1 do estudo contou com 36 voluntários, de 18 a 54 anos, e teve como objetivo avaliar a segurança do imunizante em diferentes dosagens.  “Testamos três doses, 20, 60 e 100 microgramas, e todas se mostram seguras. Escolhemos a dose intermediária para seguir para segunda etapa do programa,” explicou Santiago.

De acordo com o pesquisador Gregório Almeida, mais de 1,7 mil pessoas se inscreveram para participar do estudo. “Isso mostra a confiança dos brasileiros na ciência feita pelo Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG”, comemora.

Soberania científica

A primeira vacina 100% nacional que chegou aos estudos clínicos é um grande marco para soberania em termos de desenvolvimento de imunobiológicos. Segundo Almeida, “pela primeira vez, foi possível fazer um ensaio clínico de fase 1 para uma vacina desenvolvida aqui. Nos outros estudos feitos no Brasil, a fase 1 geralmente era feita no exterior. Isso é um grande passo para a nossa política nacional de produção de imunobiológicos”, celebra.

Para o coordenador-geral de Ciências da Saúde, Biotecnológicas e Agrárias, do MCTI, Thiago Moraes, o projeto reflete o papel estratégico do MCTI com soluções tecnológicas para saúde. “O ministério tem o papel fundamental de garantir os recursos necessários para que o Brasil não apenas desenvolva, mas também avance com autonomia em todas as etapas regulatórias, assegurando nossa soberania tecnológica na área da saúde e biotecnologia , ” enfatiza.

CTVacinas

O CTVacinas é um centro de pesquisas em biotecnologia criado em 2016, resultado de uma importante parceria estabelecida entre a UFMG, o Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas) e o Parque Tecnológico de Belo Horizonte.

Atualmente, o CTVacinas reúne cerca de 120 pesquisadores, estudantes e técnicos, consolidando-se como um polo estratégico para o desenvolvimento de vacinas e imunobiológicos no País. O grupo já concluiu a fase 2 dos ensaios clínicos com 320 voluntários e aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fase 3, com estimativa de 5,3 mil voluntários de todas as regiões do Brasil.

“A Spin-TEC é uma mudança de paradigma. O investimento do MCTI permitiu construir capacidade científica e infraestrutura no Brasil. Foi um grande passo dado para a política nacional de produção de imunobiológicos. Essa base hoje beneficia não apenas a pesquisa sobre covid-19, mas também o desenvolvimento de vacinas contra doenças como malária, chagas e monkeypox ”, completou o pesquisador Ricardo Gazzinelli .

Agência Gov

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