Aeródromo de onde avião decolou antes de queda com duas mortes em Palmas é irregular, diz Anac

por Jornal Folha do Jalapao — 20/07/2026 às 08:03 — em Cidades

Médico e esposa morreram logo após avião decolar de pista na zona rural de Palmas. Local não tem autorização para pousos e decolagens devido à interdição da Anac.

O aeródromo Condomínio Sítio Flyer, de onde decolou a aeronave que caiu e matou um casal em Palmas, opera de forma irregular e está com a pista interditada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) há pelo menos um ano. Documentos indicam que o local não possui autorização para pousos e decolagens devido a pendências e riscos à segurança operacional.

A aeronave de pequeno porte, modelo EMB-721C, caiu em uma área de vegetação fechada logo após a decolagem, por volta das 10h de sábado (18). O médico Éderson da Silva, de 68 anos, e sua esposa, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62 anos, morreram. O piloto foi resgatado com vida e segue internado.

Segundo ofício nº 628/2025 da Anac, o aeródromo Sítio Flyer está inativo para operações devido a irregularidades cadastrais que se arrastam desde 2020.

O órgão aponta que o processo de alteração de responsabilidade e atualização de dados nunca foi concluído, faltando documentos como a comprovação de transferência de propriedade e a procuração eletrônica do responsável legal.

A Anac confirmou que o Sítio Flyer não consta na lista de aeródromos autorizados em Palmas. Atualmente, segundo o órgão, apenas duas áreas privadas na cidade possuem operações legalizadas pelos proprietários.

De acordo com os documentos da Anac, os principais motivos para o aeródromo Condomínio Sítio Flyer (SJCF) não estar regulamentado e ter suas operações proibidas são:

Área está em disputa judicial

Um boletim de ocorrência foi feito pelo atual proprietário da área onde fica o aeródromo, logo após o acidente. O documento aponta que os voos realizados no local não são autorizados.

Um representante do dono, que pediu para não ser identificado, afirmou que o imóvel é alvo de uma disputa de posse na Justiça, e que voos clandestinos ocorrem com frequência no local, mesmo sob interdição.

“A pista foi cancelada pela Anac e o registro dela está suspenso, mas um grupo que permanece no local continuou operando e não permite a entrada do proprietário legal. Foram feitos registros de vários voos após o cancelamento da pista”, afirmou.

Fonte: G1-TO

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