APARECIDA: Com fé e tradição, festa da Padroeira reúne cavaleiros e amazonas em demonstração de devoção

por Jornal Folha do Jalapao — 23/07/2026 às 10:46 — em Cidades, Destaques, Sem categoria

Em uma tradição que atravessa gerações, a cavalgada e o levantamento do mastro marcam o início dos festejos em homenagem à padroeira Nossa Senhora Aparecida e estão entre os momentos mais emblemáticos da celebração.

O mês de julho, em Aparecida do Rio Negro, representa muito mais que um período de recesso. É o tempo em que os aparecidenses renovam a fé e a devoção à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do município, durante os tradicionais festejos religiosos. A época também é marcada pelo reencontro de familiares e filhos da terra, fortalecendo os laços de convivência, confraternização e pertencimento. Nesta quarta-feira, 22, mais uma edição das festividades teve início, reafirmando uma das mais importantes tradições religiosas e culturais da região.

Os festejos representam uma oportunidade de preservar as tradições sertanejas, promover reencontros e, principalmente, renovar os votos de fé à padroeira. Mantida ao longo das gerações pelos pioneiros da cidade, a celebração segue viva com a participação de filhos, netos e bisnetos, que se unem para agradecer as graças alcançadas e pedir novas bênçãos, mantendo acesa a devoção a Nossa Senhora Aparecida.

Um dos momentos mais marcantes do dia foi a cavalgada, que saiu da Chácara do vereador Ernane Araújo e Priscilla Araújo. No local, houve concentração e foi servido um almoço para todos os participantes. Cavaleiros e amazonas já se preparavam para a saída em um momento de descontração e alegria. Com trajes sertanejos, chapéus, botas e fivelas deram o tom ao ambiente e dominaram os looks.

A cavalgada é um dos momentos mais aguardados da programação e marca oficialmente a abertura dos cinco dias de celebrações religiosas e sociais. À frente do cortejo, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi conduzida pelo padre José Barbosa, seguida pelas bandeiras do Brasil, do Tocantins, de Aparecida do Rio Negro e do Vaticano. Sob o forte sol, a saída aconteceu ao som de canções sertanejas e homenagens à padroeira.

Percorrendo as principais ruas e avenidas da cidade, cavaleiros e amazonas desfilaram demonstrando fé, devoção e respeito à santa. Ao longo do trajeto, moradores saíram às portas de suas casas para acompanhar e prestigiar o cortejo. Conduzido pelo locutor PP Lopes, o desfile reuniu as comitivas Chão Batido, Pisada do Porcão e Garotos da Pecuária, além de centenas de cavaleiros e amazonas que, organizados em duas filas, reforçaram que a tradição sertaneja e a devoção à padroeira seguem vivas e fortalecidas em Aparecida do Rio Negro.

Participação


Também participaram da cavalgada o prefeito Deusimar Amorim, acompanhado da primeira-dama Ana Cláudia, o vice-prefeito Roquinho Tavares, os deputados estaduais Léo Barbosa e Valdemar Júnior, além de vereadores e demais autoridades municipais.

Para o prefeito, os festejos de Nossa Senhora Aparecida representam muito mais que uma celebração religiosa: são parte da história e da identidade do município. Segundo ele, a primeira edição da festividade aconteceu em 1965, ano em que nasceu, e, desde então, acompanhou a tradição ao lado dos pais e familiares.

“Com a graça de Deus, essa festa começou no ano em que eu nasci. Em um ano ou outro estive distante fisicamente, mas, no pensamento e no espírito, sempre estive aqui. Minha vontade é permanecer vivo e participar de todos os festejos. Essa é uma tradição da nossa fé, da nossa religiosidade, da nossa cultura e do nosso povo. É uma enorme satisfação estar aqui mais uma vez celebrando Nossa Senhora Aparecida. Como gestão, damos todo o apoio, porque esta não é apenas uma festa religiosa, mas uma celebração da nossa comunidade e de toda a região. Graças a Deus, temos a oportunidade de viver esse momento ao lado dos devotos de Nossa Senhora Aparecida”, afirmou Deusimar Amorim.

O deputado estadual Léo Barbosa, que participa tradicionalmente dos festejos, destacou a importância da cavalgada como um momento de fé, confraternização e valorização das tradições do Município


“Todos os anos, graças a Deus, temos a oportunidade de participar desta cavalgada, que homenageia Nossa Senhora Aparecida e marca o início dos festejos do município. É um momento de confraternizar ao lado do prefeito Deusimar, do vice-prefeito Roquinho, dos vereadores, dos amigos e das famílias de Aparecida. Parabenizo o município por manter viva essa tradição e por realizar, mais uma vez, uma linda festa”, afirmou.

Levantamento do Mastro


Ao chegar à Praça José Eurico Costa, a cavalgada foi encerrada com a tradicional bênção dos animais e o levantamento do mastro. Com a bandeira de Nossa Senhora Aparecida hasteada no alto, o ato simboliza oficialmente o início dos festejos e representa um dos momentos mais emocionantes da celebração.
Há cinco anos à frente da Paróquia de Aparecida do Rio Negro, o administrador paroquial, padre José Barbosa, afirma que, a cada edição da festa, as emoções se renovam diante da demonstração de fé e devoção do povo.


“O que mais me alegra a cada ano é ver a mudança, a corresponsabilidade do povo e a participação de cada paroquiano, dos visitantes e das famílias que já não moram mais aqui, mas fazem questão de voltar para viver esse tempo de graça. Os capitães sempre trazem novidades, somadas ao apoio do poder público municipal, e isso tem tornado os festejos cada vez mais organizados e acolhedores. Mas o essencial permanece o mesmo: a fé e o amor a Maria, que nos conduz ao seu Filho, Jesus. Essa essência nunca muda; o que evolui é a organização, a logística e a estrutura, para acolher cada vez melhor todos os fiéis”, destacou o padre José Barbosa.

Neste ano, um mastro de 22 metros foi erguido na Praça José Eurico, tornando-se um dos símbolos dos festejos. O levantamento, considerado um dos momentos mais tradicionais da celebração, exige técnica, experiência e o conhecimento dos pioneiros, que utilizam as chamadas “tesouras” para conduzir o processo. Durante a cerimônia, a força dos mais jovens se une à experiência dos mais idosos, em um ato marcado pela emoção e pelo trabalho coletivo.


Pela quarta vez à frente da organização, o capitão Roquinho Tavares destacou que a missão vai além de coordenar a festividade: é preservar uma tradição que atravessa gerações e fortalecer a fé da comunidade.


“É mais uma oportunidade de estarmos aqui, com saúde, reunidos em família aos pés da bandeira de Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira. É um momento de muita alegria. Sabemos da responsabilidade que temos com a Igreja e estamos sempre dispostos a colaborar para que a nossa paróquia continue crescendo, evangelizando e transmitindo essa fé aos nossos filhos e às futuras gerações de aparecidenses”, afirmou.

Tradição que se renova


Presenciar a mesma tradição sendo renovada há mais de seis décadas em Aparecida do Rio Negro é um privilégio para poucos. Muitos dos pioneiros que ajudaram a construir essa tradição hoje permanecem apenas na memória dos aparecidenses. Entre aqueles que ainda mantêm viva essa história está José Ribeiro, de 90 anos. Primeiro capitão dos festejos, ele faz questão de repetir, a cada edição, um gesto carregado de simbolismo: abraçar o mastro no momento em que é erguido.


“A primeira festa foi em 1965 e, hoje, aos 90 anos, eu ainda participo. Fui o primeiro capitão e todos os anos abraço o mastro. É uma tradição muito bonita, principalmente essa abertura. Hoje está muito mais bonita. Naquele tempo havia muitas dificuldades, não tinha energia elétrica, então o mastro vinha em pé. Depois que instalaram a rede elétrica, passamos a trazê-lo deitado, lá do São Domingos. Era colocado sobre um gradeado com travessas, onde iam os capitães e os tocadores, caminhando e cantando até chegar aqui. Era muito bonito. Criei dez filhos, tenho 28 netos e 36 bisnetos, e sempre ensino a todos a importância de manter essa tradição”, relembrou.

Ao lado dos pioneiros, uma nova geração mantém viva a história dos festejos. Filho de Aparecida do Rio Negro, Rafael Barbosa, de 43 anos, mora em São Paulo desde 1999, mas faz questão de retornar todos os anos para participar da celebração, reforçando o vínculo com suas origens e com a tradição da padroeira.
“Participo dos festejos desde que nasci. Mesmo morando em São Paulo, nunca deixei de voltar para essa época. É bom demais reencontrar amigos, familiares e pessoas que fazem parte da nossa história. Reviver essa tradição é algo que não tem preço. Aprendi esse amor pela festa com meus pais e com toda a minha família, e espero continuar vivendo esse momento por muitos e muitos anos”, afirmou.

Momento social

Encerradas as solenidades religiosas, o clima de confraternização tomou conta da Barraca da Igreja. O tradicional leilão, a quermesse e as apresentações musicais reuniram moradores e visitantes, mantendo viva outra importante tradição dos festejos de Nossa Senhora Aparecida. O público também acompanhou a apresentação da dupla Mariano e Oziel, que animou a noite.


Pastéis, caldos, tortas, bolos, porções e outras delícias fazem parte do cardápio preparado pela comunidade. Toda a renda arrecadada será destinada às necessidades estruturais da Paróquia.


Enquanto isso, na Praça José Eurico Costa, moradores e visitantes aproveitaram as barracas instaladas ao longo da Avenida Sebastião Vasconcelos, onde comerciantes ofereceram alimentos, bebidas e outras opções gastronômicas. A estrutura foi disponibilizada pela Prefeitura de Aparecida do Rio Negro, que também garantiu a programação musical da noite com o show do cantor Phernando PH.

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