Enfermeira, mãe e servidora pública: quem era a vítima de feminicídio na região sul de Palmas

por Jornal Folha do Jalapao — 29/07/2026 às 13:52 — em Cidades

Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, era natural de Tocantínia e atuava na saúde pública e no sistema socioeducativo. O suspeito do crime é o ex-marido, morto pela PM durante confronto.

Enfermeira, servidora pública, mãe de duas filhas e homenageada pelo trabalho na área da saúde, Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, dedicou quase uma década ao atendimento de pacientes e adolescentes do sistema socioeducativo do Tocantins.

O legado de cuidado ao próximo foi interrompido na noite de segunda-feira (27), quando ela foi assassinada com tiros e golpes de arma branca, em uma casa na região sul de Palmas. O principal suspeito do crime é o ex-marido, Lelito Tavares Barbosa, de 49 anos, que morreu em confronto com a Polícia Militar (PM) horas depois do feminicídio.

A enfermeira era descrita por colegas como uma profissional acolhedora e comprometida com o cuidado ao próximo. Morgana trabalhava como enfermeira na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Nacional e também atuava no cargo de agente socioeducativo, no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case).

A dedicação ao serviço público chegou a ser reconhecida formalmente pela Assembleia Legislativa do Tocantins. Em 2022, Morgana recebeu uma Moção de Aplausos em homenagem ao Dia Internacional da Enfermagem.

No documento, a profissional é descrita como exemplo para os colegas e reconhecida pela contribuição prestada à saúde pública tocantinense.

Morgana era natural de Tocantínia e irmã de Jordana Monteiro, vice-prefeita do município. A Prefeitura divulgou nota de pesar e prestou solidariedade à família diante da perda. O corpo foi velado em cerimônia aberta ao público na Feira Municipal Moacir Sotero.

A Associação dos Servidores do Sistema Socioeducativo do Tocantins publicou uma declaração nas redes sociais defendendo que a memória de Morgana seja associada à sua trajetória de dedicação.

“Que sua memória jamais seja reduzida à forma como sua vida terminou. Você merece ser lembrada pela vida que construiu, pelo bem que fez, pelo carinho que espalhou e pelo amor imenso que dedicou às suas filhas e a todos que tiveram o privilégio de conhecê-la”, diz o texto.

A Prefeitura de Porto Nacional lamentou a morte de Morgana e declarou, em nota, que ela “deixa um legado de dedicação, competência, humanidade e compromisso com a saúde da nossa população. Sua partida prematura enlutou não apenas seus familiares e amigos, mas também toda a equipe da saúde e esta gestão municipal”.

O Conselho Regional de Enfermagem do Tocantins (Coren-TO) lamentou a morte da profissional. A entidade prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho, reforçando o repúdio a todas as formas de violência contra a mulher.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias do feminicídio. Paralelamente, as circunstâncias da morte do suspeito, decorrente de intervenção de agente de segurança pública, também serão apuradas.

Ex-marido invadiu casa

Morgana foi assassinada em uma casa na quadra 1.503 Sul, na região sul da capital. Testemunhas que tentaram ajudar a vítima disseram que ela chegou a se trancar no banheiro para tentar evitar as agressões.

O tenente-coronel da PM, Gustavo Bolentini, informou que o ex-marido pulou um muro e invadiu a casa de Morgana, e os vizinhos chamaram a polícia.

“A informação inicial que nós temos é que ele saltou o muro da casa dela. Tinha com ela algumas pessoas e ela foi surpreendida de forma muito rápida. Quem acionou a Polícia Militar foram os vizinhos, que perceberam a movimentação. A polícia chegou rapidamente, inclusive nem deu tempo dele fugir da própria quadra“, contou.

Após o crime, o suspeito fugiu portando uma arma. Policiais militares cercaram a região e iniciaram as buscas com apoio do Batalhão de Polícia de Choque, Grupo de Operações com Cães (GOC) e Batalhão de Operações Especiais.

Lelito foi localizado após cerca de quatro horas de buscas em uma mata na 1.503 Sul.

O cão do GOC conseguiu farejar o local de entrada e levou as equipes até onde ele estava escondido. O cão chegou primeiro, ele [o suspeito] efetuou alguns disparos inicialmente contra o cão e depois contra as equipes. As equipes revidaram e ele foi atingido. Foi chamado o socorro, mas ele acabou falecendo no local“, explicou o tenente-coronel da PM.

Fonte: G1-TO

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