Governo do Brasil apresenta ações para amenizar impactos do El Niño e mudanças climáticas

por Jornal Folha do Jalapao — 03/09/2026 às 14:20 — em Geral

Medidas de prevenção, segurança hídrica e resposta a emergências climáticas nas cinco regiões foram apresentadas por ministros em coletiva à imprensa

O Governo Federal detalhou, nesta quarta-feira, 2 de setembro, os cenários de preparação para conter os possíveis impactos do fenômeno El Niño e das mudanças climáticas nas diferentes regiões do país. As medidas foram apresentadas durante coletiva de imprensa com veículos regionais por ministros e secretários, na sequência das reuniões dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”, que alinharam ações conjuntas com gestores estaduais e municipais.

As declarações aos jornalistas foram prestadas pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro de Moura.

A ministra da Casa Civil enfatizou o papel dos meios de comunicação na conscientização pública e ressaltou que o combate às intempéries exige planejamento científico e esforço coordenado entre a sociedade e os entes federados.

Miriam Belchior pontuou ainda que o comportamento do fenômeno não é uniforme no território nacional. “O El Niño não afeta todo o território brasileiro de maneira semelhante”, observou a ministra, citando que a Amazônia enfrenta riscos de seca e incêndios; o Nordeste lida com o atraso de chuvas no Matopiba; o Centro-Oeste e o Sudeste sofrem com queimadas e ondas de calor; e o Sul registra excesso de precipitação.

Confira o detalhamento dos investimentos e das estratégias do Governo Federal por região:

Região Norte

Para a Região Norte, onde se localiza o Tocantins, a estratégia inclui a antecipação de suprimentos de água e alimentos para comunidades isoladas antes do agravamento da estiagem, permitindo que estados e municípios façam a distribuição célere às famílias vulneráveis. O Governo Federal dispõe também de aeronaves pré-contratadas para reforçar a logística de atendimento emergencial.

Além da distribuição antecipada de 160 mil cestas de alimentos, estão previstas mais 350 mil cestas destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares. Na área de segurança hídrica, os aportes do Novo PAC e do Fundo Amazônia somam R$ 582 milhões para a região, sendo R$ 181 milhões voltados à água rural, R$ 330 milhões para a implantação de 10.671 sistemas sanitários e R$ 55 milhões para acesso à água em aldeias indígenas.

Região Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o foco prioritário centra-se no combate a incêndios e na segurança hídrica. O ministro João Paulo Capobianco frisou o apoio financeiro para o fortalecimento dos Corpos de Bombeiros e o trabalho integrado de orientação e fiscalização com a Polícia Militar. “Uma estratégia muito importante para que eles auxiliem na orientação e também na ação coercitiva, ao identificar pessoas usando fogo de forma irregular”, afirmou Capobianco.

A região conta com recursos do Fundo Amazônia no montante de R$ 521 milhões para ações de combate a queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal, possibilitando a compra de 500 veículos, 33.800 equipamentos individuais e a reforma de 30 bases operacionais. Estão previstos também R$ 50,5 milhões para segurança hídrica e R$ 248,4 milhões em obras estruturantes de prevenção de desastres.

Região Sul

Na Região Sul, o risco acentuado de enchentes e deslizamentos por excesso de chuvas mobiliza ações conjuntas de acompanhamento com as Defesas Civis estaduais. O ministro Valder Ribeiro de Moura sustentou que a União atua no socorro imediato, ajuda humanitária e reconstrução de infraestruturas afetadas.

Foram destinados R$ 30 milhões para planos contínuos de combate a inundações, além da previsão de R$ 8,8 bilhões em obras de contenção de encostas e drenagem urbana nos três estados sulistas.

Região Nordeste

No Nordeste, as atenções voltam-se para a garantia do abastecimento hídrico e a produção alimentar. Conforme declarou Miriam Belchior, os principais reservatórios da região encontram-se em situação confortável na comparação com anos anteriores.

A região receberá cerca de R$ 10 bilhões para a construção de 2.800 quilômetros de canais e adutoras, novos reservatórios para 2,2 milhões de metros cúbicos de água, e a recuperação de 162 barragens e 172 mil cisternas. A expansão e integração do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) somam R$ 4,8 bilhões em investimentos para alcançar 12 milhões de pessoas. Em localidades com escassez crítica, a Operação Carro-Pipa, apoiada em R$ 2,1 bilhões, atende cerca de 1,6 milhão de pessoas por mês.

Região Sudeste

No Sudeste, o planejamento prevê o enfrentamento a ondas de calor e ao atraso no regime de chuvas. A área da saúde contará com a descentralização da Força Nacional do SUS (ForSUS), mediante criação de uma base regional no Rio de Janeiro para atendimentos de emergência.

Ademais, será instituído o Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) em Belo Horizonte (MG), responsável pelo monitoramento de dados epidemiológicos associados a eventos extremos. No âmbito da prevenção de desastres, o Novo PAC destinará R$ 8,7 bilhões à região, divididos em R$ 6,7 bilhões para drenagem urbana e R$ 2 bilhões para contenção de encostas.

Fonte: T1-Notícias

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