Cânceres ginecológicos podem apresentar sinais pouco específicos e dificultar a identificação da doença

por Jornal Folha do Jalapao — 18/09/2026 às 22:30 — em Geral

Setembro em Flor chama atenção para sintomas como inchaço abdominal, sangramento fora do período menstrual e dor pélvica persistente

Inchaço abdominal persistente, sensação de saciedade precoce, sangramento fora do período menstrual e dor pélvica contínua podem parecer alterações comuns, mas também estão entre os sinais associados aos cânceres ginecológicos. Como alguns desses tumores apresentam sintomas pouco específicos no início, mudanças persistentes no organismo precisam ser investigadas.

A campanha Setembro em Flor, promovida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), reforça em 2026 a importância da prevenção, da informação e do acesso ao tratamento. Com o tema “O Futuro é Agora”, a mobilização chama atenção para os cinco principais tumores ginecológicos: colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina.

A coordenadora da Oncologia da Rede Medical e embaixadora do EVA Young no Tocantins, Areta Agostinho, explica que conhecer os sinais e manter o acompanhamento ginecológico são medidas importantes para ampliar as chances de identificar alterações que precisam de investigação.

“O corpo fala e sintomas ginecológicos não devem ser negligenciados. Sangramento fora do ciclo menstrual, após a relação sexual ou na pós-menopausa, alterações persistentes no corrimento e dores pélvicas ou abdominais que não passam precisam ser investigados”, orienta.

Entre esses tumores, o câncer de ovário representa um desafio por poder evoluir inicialmente com manifestações que também aparecem em condições benignas. Distensão abdominal, desconforto pélvico, alterações intestinais e vontade frequente de urinar estão entre os sintomas que podem ser confundidos com outros problemas.

Areta ressalta que, diferentemente do que ocorre com o colo do útero, não há um exame de rastreamento populacional para o câncer de ovário. Por isso, a avaliação dos sintomas e o acompanhamento ginecológico regular ganham importância.

Prevenção e novas possibilidades de tratamento

No câncer do colo do útero, a prevenção passa principalmente pela vacinação contra o HPV e pela realização dos exames preventivos. Quase todos os casos da doença estão associados à infecção persistente por tipos oncogênicos do vírus, que também pode estar relacionado a tumores de vulva e vagina.

Os exames preventivos permitem identificar alterações no colo do útero antes que evoluam para um câncer, ampliando as possibilidades de tratamento em fases iniciais.

O cuidado com os tumores ginecológicos também vem incorporando novas possibilidades. Imunoterapia, terapias-alvo e medicina de precisão permitem estratégias mais individualizadas, enquanto técnicas como laparoscopia e cirurgia robótica podem proporcionar recuperação mais rápida em casos selecionados.

“Hoje conseguimos olhar não apenas para o tumor, mas para cada paciente de forma individualizada. Em cada fase da vida da mulher, o cuidado pode mudar, mas nunca cessa. Conhecer o próprio corpo e manter as consultas periódicas são atitudes fundamentais. Se algo estiver diferente, não espere”, reforça Areta Agostinho.

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