Médicos descartam cirurgia cardíaca de Kauan por alto risco de morte, e menino deve retornar ao Tocantins

por Jornal Folha do Jalapao — 03/10/2026 às 10:55 — em Cidades, Destaques

Após ser transferido para um hospital de São Paulo, menino passou por novos exames e teve o procedimento considerado contraindicado pela equipe médica; mãe afirma que agora pretende garantir conforto ao filho.

Kauan não deve passar pela cirurgia cardíaca de que precisa. Segundo a mãe, Laise Sousa, médicos do Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto (SP) avaliaram que o procedimento apresenta alto risco de morte para o menino. A família deve retornar ao Tocantins.

O menino passou por uma bateria de exames após ser recebido no hospital. Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde desta sexta-feira (2), a mãe contou que os médicos realizaram uma reunião e informaram que não há indicação para a cirurgia.

“A médica acabou de passar, fizeram a reunião. E infelizmente não tem nada para se fazer pelo Cauã. Ele tem muitos problemas neurológicos, no pulmão e não dá para fazer nada por ele”.

Kauan precisaria de uma cirurgia chamada Fontan, procedimento indicado para pacientes que nascem com apenas um ventrículo funcional no coração.

No início de setembro, Laise se acorrentou no portão do Hospital Geral de Palmas (HGP) para cobrar a transferência do filho para um hospital de referência em São Paulo.

“A sensação que dá é que eu lutei tanto e morri na praia. Mas Deus sabe que eu tentei o melhor. O risco dele, se mexer nele e ele morrer, é muito alto. Então, não dá para fazer nada por ele”, lamentou a mãe nas redes sociais.

Segundo Laise, a equipe do hospital informou que não há o que fazer e que ela e o filho devem ser enviados de volta ao Tocantins. Agora, ela disse que pretende focar em dar conforto ao menino.

“Entender e aceitar. Entender um diagnóstico desse não é fácil. E saber que ele vai ficar em casa agora e, quando Deus quiser levar ele, Deus vai. Na hora dele”.

O Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto informou que “após avaliação do paciente, a equipe médica prestou todos os esclarecimentos à família do mesmo”. Também afirmou que a instituição está impossibilitada, por lei, de informar, comentar ou compartilhar qualquer dado ou circunstância que envolva o paciente e possa expor informações sobre ele.

Relembre o caso

A família é de Paraíso do Tocantins, que fica a cerca de 60 km de Palmas. O caso se arrasta desde 2024, quando Laise pediu o tratamento fora de domicílio.

Em julho de 2025, a Justiça determinou que o Estado transferisse a criança para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, por meio de UTI aérea, com direito a um acompanhante e ao custeio da estadia.

Um ano depois, a Justiça expediu uma nova decisão, bloqueando o valor necessário para a realização da cirurgia.

Laise se acorrentou ao portão do HGP na manhã do dia 9 de setembro. No mesmo dia, ela deixou o local e se acorrentou em frente ao Ministério Público, pedindo a transferência do filho.

Na época, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o paciente havia sido acompanhado no Hospital Municipal de Araguaína e que, após as avaliações médicas, foi apontado que a cirurgia de Fontan seria contraindicada no caso dele, devido às condições clínicas da criança, que apresentava comprometimento dos acessos vasculares e fragilidade clínica.

No dia 12 de setembro de 2026, o Estado informou que a transferência do paciente estava liberada e aguardava o aceite da unidade de destino, em São Paulo. Kauan foi transferido para São Paulo 14 dias depois. (Fonte G1-TO)

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