Após alerta de falta de hemodiálise no HGP, Governo anuncia planos para ampliar atendimento 

por Jornal Folha do Jalapao — 21/10/2026 às 08:11 — em Estado

SES prevê novas vagas em Palmas, Gurupi e Porto Nacional, mas ampliação em dois hospitais depende de investimentos de empresa contratada.

Após médicos denunciarem que pacientes do Hospital Geral de Palmas (HGP) estão aguardando mais de 72 horas para realizar hemodiálise, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informou que trabalha para ampliar a capacidade de atendimento renal na rede pública. As medidas incluem a abertura de um novo serviço em Porto Nacional e a ampliação das vagas em Palmas e Gurupi, mas ainda não há prazo definido para a implementação.

A manifestação do governo ocorre após o Sindicato dos Médicos no Estado do Tocantins (SIMED-TO) alertar para a falta de equipamentos e as dificuldades enfrentadas pelas equipes de nefrologia do HGP. Segundo a entidade, pacientes em estado grave estariam sem acesso ao tratamento prescrito, situação que representaria risco de morte.

Em resposta à Gazeta do Cerrado, a SES informou que pretende disponibilizar dez cadeiras de hemodiálise em Porto Nacional, por meio da Santa Casa. Também estão previstas três cadeiras adicionais no HGP e quatro no Hospital Regional de Gurupi (HRG).

Ao todo, as propostas representam 17 novas cadeiras para atendimento renal no estado.

Entretanto, a ampliação das unidades de Palmas e Gurupi ainda depende de investimentos da Pró-Rim, empresa responsável pela prestação dos serviços de hemodiálise nos dois hospitais.

Segundo a secretaria, as condições contratuais necessárias para a expansão já foram disponibilizadas, e as negociações com a empresa continuam. Entre as alternativas discutidas está o aumento dos turnos de atendimento.

A SES também informou que busca outros prestadores para ampliar a oferta de Terapia Renal Substitutiva (TRS). O credenciamento estadual permanece aberto para empresas interessadas em prestar o serviço.

Sindicato alerta para pacientes sem tratamento

A denúncia que motivou os questionamentos à secretaria foi divulgada pelo SIMED-TO, que manifestou apoio aos médicos nefrologistas do HGP.

De acordo com o sindicato, há pacientes com indicação de hemodiálise há mais de 72 horas que ainda não conseguiram realizar o procedimento por falta de vagas.

A entidade também aponta dificuldades no atendimento de pacientes graves, especialmente daqueles que não podem ser transportados do pronto-socorro até o setor de hemodiálise, localizado no térreo do hospital.

Segundo os profissionais, a ausência de equipamentos de osmose reversa, utilizados na purificação da água, e de estrutura adequada para realizar hemodiálise à beira-leito compromete o atendimento de pacientes instáveis.

O sindicato cita situações de risco envolvendo pessoas com hipercalemia grave, caracterizada pelo excesso de potássio no sangue, e insuficiência respiratória.

Entre as providências cobradas estão a aquisição de máquinas, ampliação das vagas, contratação de profissionais especializados e implantação de estrutura para atendimento à beira-leito.

Governo afirma que casos emergenciais recebem assistência

Na nota encaminhada à reportagem, a SES afirmou que pacientes com necessidade de atendimento emergencial continuam recebendo assistência especializada, conforme avaliação das equipes médicas.

A secretaria atribuiu o aumento da procura por hemodiálise ao crescimento da demanda por tratamento renal, especialmente entre pessoas com doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes.

Apesar de anunciar medidas de expansão, o governo não informou quantos pacientes aguardam atualmente pelo procedimento no HGP, quantas máquinas estão em funcionamento ou quando as novas cadeiras estarão disponíveis.

A resposta também não esclareceu especificamente se o hospital dispõe de equipamentos de osmose reversa e estrutura para realizar hemodiálise à beira-leito em pacientes que não podem ser transportados.

A SES declarou que continuará trabalhando para ampliar a oferta de vagas e fortalecer a estrutura de atendimento renal no Tocantins.

O SIMED-TO, por sua vez, informou que poderá recorrer aos órgãos de controle para cobrar providências que garantam condições adequadas de trabalho aos profissionais e atendimento aos pacientes.

Fonte: Gazeta do Cerrado

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