Tocantins é o 3º estado onde impostos mais pesam no bolso do trabalhador

por Jornal Folha do Jalapao — 02/11/2026 às 08:48 — em Estado

Levantamento estima R$ 12,7 mil em tributos por ano para quem recebe R$ 3.500 líquidos.

Um trabalhador com carteira assinada que recebe R$ 3.500 líquidos por mês no Tocantins compromete o equivalente a 93 dias do ano apenas com o pagamento de tributos e contribuições previdenciárias. Na prática, isso representa uma carga estimada de R$ 12.774 anuais, mesmo sem pagar Imposto de Renda.

O resultado coloca o Tocantins na terceira posição entre as 27 unidades da federação onde a tributação mais pesa sobre o orçamento desse perfil de trabalhador. Os dados são do projeto Dias de Imposto, uma calculadora gratuita que utiliza as regras tributárias de 2026 e informações de órgãos oficiais e do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Pela simulação, o valor dos impostos e contribuições equivale a trabalhar de 1º de janeiro até 3 de abril exclusivamente para custear essas obrigações. A comparação é simbólica e considera a proporção da renda anual comprometida com tributos.

No ranking nacional, apenas Ceará e Pernambuco aparecem à frente do Tocantins. O Ceará lidera, com 95 dias e R$ 12.986 anuais, seguido de Pernambuco, com 94 dias e R$ 12.911. O Tocantins aparece em terceiro, com 93 dias e R$ 12.774.

A comparação utiliza o mesmo perfil nos 27 estados: trabalhador contratado pelo regime CLT, com renda mensal líquida de R$ 3.500, sem carro ou imóvel próprio e que destina 55% do salário às despesas cotidianas. O resultado muda conforme a renda e os hábitos de consumo.

Mesmo isento do Imposto de Renda, trabalhador paga mais de R$ 12 mil

A ampliação da isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, em vigor desde janeiro de 2026, não elimina o peso da tributação sobre o orçamento das famílias.

No Tocantins, a simulação para quem recebe R$ 3.500 líquidos aponta aproximadamente R$ 4.559 anuais de contribuição ao INSS e R$ 8.215 em tributos embutidos nos produtos e serviços consumidos.

Desse segundo valor, cerca de R$ 4.889 correspondem ao ICMS, imposto estadual presente no preço de grande parte das mercadorias e serviços.

Isso significa que, mesmo sem desconto de Imposto de Renda, o trabalhador continua destinando uma parcela expressiva dos seus rendimentos ao pagamento de tributos, especialmente quando faz compras no supermercado, abastece o veículo ou paga despesas domésticas.

O peso também varia conforme a faixa salarial.

Quem recebe R$ 2 mil líquidos por mês tem uma carga estimada de R$ 6.858 anuais, o equivalente a 89 dias, até 30 de março. Já para quem ganha R$ 6 mil, o valor chega a R$ 39.053, correspondentes a 138 dias do ano, até 18 de maio.

A propriedade de veículos também aumenta a conta. No Tocantins, um carro avaliado em R$ 60 mil, com potência de até 100 cavalos, gera IPVA anual de R$ 1.500, sem considerar eventuais descontos. Com esse acréscimo, o trabalhador que recebe R$ 3.500 passa de 93 para 104 dias equivalentes de renda comprometida com tributos.

Supermercado, combustível e energia: onde os impostos mais pesam

Os impostos embutidos nos preços ajudam a explicar a posição do Tocantins no ranking nacional.

Segundo os parâmetros do IBPT utilizados pela calculadora, a carga tributária estimada nas compras de supermercado chega a 34,3% do valor pago pelo consumidor tocantinense, acima da média brasileira de 29,6%.

Desse percentual, 20,6 pontos correspondem ao ICMS na composição considerada pela ferramenta.

Nos combustíveis, a carga tributária total estimada alcança 37,2%, enquanto a média nacional é de 34,9%.

As contas de energia elétrica, internet e telefonia também apresentam peso expressivo. Nesse grupo, os tributos representam aproximadamente 37% do valor cobrado, segundo o levantamento.

A ferramenta considera ainda despesas com restaurantes, roupas, calçados, eletrônicos, medicamentos e lazer. Os percentuais são médias estimadas por categoria e não significam que todos os produtos tenham exatamente a mesma tributação.

Tocantins arrecada R$ 4,1 mil por habitante e gasta R$ 9,2 mil

O levantamento também apresenta números sobre a arrecadação e a aplicação de recursos públicos.

De acordo com os dados referentes a 2024, o Governo do Tocantins arrecadou R$ 4.166 por habitante em impostos estaduais, considerando ICMS, IPVA e Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).

O resultado coloca o estado na 12ª posição entre os 26 estados brasileiros, abaixo da média de R$ 4.393 por habitante.

No mesmo ano, o Tocantins recebeu R$ 5.162 por morador em transferências da União, como os repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE). A média dos estados foi de R$ 1.338.

Já as despesas estaduais consideradas pelo estudo chegaram a R$ 9.287 por habitante, o quarto maior resultado nacional.

A saúde respondeu por R$ 2.221 por morador, também o quarto maior valor entre os estados e bem acima da média nacional de R$ 857.

Na educação, o gasto registrado foi de R$ 1.350 por habitante. Aposentadorias e pensões de servidores representaram R$ 1.543, enquanto as despesas agrupadas com Assembleia Legislativa, Justiça e Ministério Público somaram R$ 1.330 por morador.

Esses indicadores utilizam informações das contas públicas de 2024, disponibilizadas pelo Tesouro Nacional, e não devem ser confundidos com a estimativa de tributação individual calculada com as regras de 2026.

Palmas arrecada R$ 1.593 por morador; veja os números de outras cidades

A análise das finanças municipais revela diferenças significativas entre as cidades tocantinenses.

Em Palmas, a arrecadação própria com impostos, taxas e contribuição de iluminação pública chegou a R$ 1.593 por habitante em 2024. O resultado colocou a capital na terceira posição estadual e na 16ª entre as 27 capitais brasileiras.

O levantamento mostra que 23% das receitas consideradas da Prefeitura de Palmas vieram dessas fontes próprias, enquanto os demais recursos tiveram origem principalmente em transferências e outras receitas.

Entre os maiores municípios do Tocantins, Porto Nacional registrou R$ 1.159 por habitante, Araguaína alcançou R$ 1.142, Gurupi teve R$ 1.026 e Paraíso do Tocantins apresentou R$ 512.

A cidade de Palmeirante aparece no topo do ranking estadual, com R$ 4.296 por habitante. Entretanto, o valor merece confirmação específica, diante da possibilidade de distorções nos dados declarados. No outro extremo, Carrasco Bonito registrou R$ 64 por morador.

Dos 139 municípios tocantinenses, 107 tiveram dados considerados aproveitáveis na comparação estadual. A média de arrecadação própria desse grupo foi de R$ 887 por habitante, inferior à média nacional de R$ 1.367.

É importante observar que arrecadação elevada por habitante não significa, necessariamente, que cada morador tenha pago mais impostos. A presença de empresas, a atividade econômica e o tamanho da população influenciam diretamente esses indicadores.

Como é feito o cálculo dos 93 dias

A calculadora Dias de Imposto cruza informações da Receita Federal, do IBPT, do IBGE e de bases de dados das contas públicas.

Para calcular o peso dos tributos, a ferramenta estima o salário bruto a partir do rendimento líquido, aplica as tabelas de INSS e Imposto de Renda de 2026 e considera a remuneração anual de 13 salários, incluindo o décimo terceiro.

Na simulação utilizada para comparar os estados, 55% da renda mensal é destinada ao consumo, distribuído entre alimentação, despesas domésticas, combustível e outras categorias.

O total estimado de tributos e contribuições é dividido pela renda bruta anual e multiplicado por 365, produzindo o número equivalente de dias.

A metodologia não inclui todos os encargos suportados pelo empregador e pode apresentar resultados diferentes de estudos que utilizam outros critérios para medir a carga tributária.

Os números, portanto, representam estimativas para determinados perfis de renda e consumo, e não o valor exato pago por todos os trabalhadores tocantinenses.

A consulta é gratuita e pode ser realizada no site diasdeimposto.com, sem necessidade de informar CPF ou fazer cadastro.

Fonte – Af Notícias

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