SANTA TEREZA DO TO: Mestres da Rabeca de Buriti perpetuam saber tradicional em oficinas para crianças

por Wenina — 28/11/2022 às 17:27 — em Cidades, Destaques

A vivência com a violinha de vereda, nativa do Tocantins, além dos passos para a fabricação do instrumento e muitas histórias fizeram parte do Encontro de Violas e Rabecas de Buriti, que ocorreu neste fim de semana na comunidade Barra do Aroeira

Seu Nilo José Rodrigues sabe bem como manusear e tocar a viola de buriti, violinha de vereda ou rabeca de buriti, como também é chamado o instrumento nativo do Tocantins, em especial da região do Jalapão. O quilombola da comunidade Barra do Aroeira tem orgulho em poder repassar seu saber simples e tão valioso às próximas gerações.

Violeiro do Quilombo localizado em Santa Tereza do Tocantins, seu Nilo, 56 anos, se preocupa em perpetuar o saber tradicional de quem desde cedo aprendeu a fabricar, tocar e manusear a viola de buriti.

“Hoje já temos a ajuda da tecnologia, antes furávamos com o ferro quente, agora já é mais fácil com a furadeira. Aprendi a fazer ainda criança com a minha mãe e dei continuidade, e comecei a tocar com os amigos. A cultura tem que ter seguimento, pois não ficaremos aqui para sempre”, disse ele, que faz questão de explicar desde o primeiro passo até o acabamento da confecção do instrumento.

O ensinamento fez parte de uma das oficinas ministradas neste sábado, 26, na Casa da Cultura da comunidade, durante o encontro de Violas e Rabecas de Buriti, promovido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria Estadual de Cultura Turismo (Sectur), em parceria com a Prefeitura de Santa Tereza, Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e Universidade Federal do Tocantins (UFT).

O encontro contou com oficinas para as crianças da comunidade, com objetivo de apoiar, promover e fomentar a Cultura Tradicional do Estado. Logo cedo as crianças compareceram ansiosas em aprender a fabricar a violinha, e seu Nilo, ao lado de outros mestres de viola, como seu Laurindo Rodrigues, 72 anos, estiveram a postos para ensinar todo o procedimento. Olhos atentos e muita disposição por parte dos pequenos fizeram parte de todo o processo de aprendizagem.

Abertura

Os visitantes foram recebidos pelos quilombolas com a tradicional feirinha, que ficou exposta durante todo o dia no local. Produtos com base no extrativismo foram comercializados, mostrando parte da cultura local como óleos, farinha, paçoca, pimentas, conservas, garrafadas, bolos de mandioca, baru e puba, queijos, ovos caipira, hortaliças e legumes, bonequinhas de pano de fabricação própria e muitos outros produtos.

Segundo a líder comunitária Patrícia Rodrigues, o projeto da Feira Segura prossegue com a atuação das quilombolas Natália Marotinha, Doriana Rodrigues e Daína Rodrigues, além de outras moradoras.

A oficina foi aberta com a presença de autoridades, como a gerente de Cultura da Sectur, Edilusa Portela; secretária municipal de Comunicação, Maria José Jacobina; superintendente substituta do Iphan, Cejane Pacine; representante da Pró-reitoria de Extensão (Proex) da UFT, Ariadne Feitosa, além dos professores Jorge Cardoso e Carlos Franco, que atuam na produção de um videodocumentário.

A gerente de cultura da Sectur, Edilusa Portela, frisou que o Estado busca valorizar os saberes tradicionais. “Essa ação ocorre em parceria com a Prefeitura para proporcionar a essas crianças um envolvimento, uma vivência com a violinha que é nossa, é do Tocantins”, disse. Para a secretária municipal de Comunicação, Maria José, o encontro possibilita aprendizados sobre a cultura quilombola. “Estou muito feliz em estar aqui, agradecemos a oportunidade do Governo do Estado e teremos um dia cheio de atividades para os moradores da comunidade”, comentou.

A moradora Ermínia Rodrigues foi a responsável por dar as boas-vindas em nome da comunidade, assim como a quilombola Aleixa Neta, que cantou uma música em acolhimento aos visitantes.

A manhã também contou com a participação de outros mestres da violinha, que fizeram questão de repassar seus conhecimentos aos pequenos: o músico Missim da Viola de Buriti, de Novo Acordo, e o violeiro Arnon Ribeiro, da Comunidade Quilombola Mumbuca, em Mateiros. Todos se envolveram nos ensinamentos às crianças que olhavam atentamente os movimentos das mãos cuidadosas dos mestres. “No futuro não vamos estar aqui para tocar a viola, então é uma alegria imensa para mim ver essas crianças aprendendo aqui”, disse Missim.

As crianças passaram o dia aprendendo a fabricação e ao final, durante a tarde, foram presenteadas com o sorteio de quatro violas produzidas no local. O momento contou com a presença do prefeito Antônio Campos, primeira-dama Alice Lourenço, superintendente de Cultura do Estado Relmivan Milhomen, e secretário municipal de Administração Roberto Campos.

O prefeito reforçou a importância do encontro para a comunidade. “É uma alegria para mim poder estar aqui, essa parceria do Governo do Estado em que agradeço muito e parabenizo essas crianças em realmente aprender, a gente vê a alegria deles colocando a mão na massa. Quero dizer aos jovens que não desistam de aprender a fabricar a viola de buriti, vocês podem fazer sucesso e carregar a nossa cultura por onde forem”, disse o gestor.

A primeira-dama Alice Lourenço também falou da satisfação em ver o envolvimento da comunidade. “Agradeço a Secretaria do Estado pelo engajamento da comunidade, que está sendo valorizada e eu desejo as boas-vindas a todos os visitantes. Aqui temos muita gente talentosa, mulheres, crianças e jovens que estão buscando crescer”, comentou.

As crianças ficaram ansiosas em receber o tão sonhado instrumento, mas os felizardos sorteados foram Francyelle Rodrigues, Joventino Romualdo, Diogo Rodrigues e Murilo Pereira. Alegre em ser a ganhadora, Fracyelle, 11 anos, disse que vai procurar tocar a violinha.  “Ajudei a fazer e achei muito bom, queria muito, é um orgulho para mim ter ganhado. Vou buscar aprender tanto a viola como o violão”, comemorou.

A tarde contou ainda com as oficinas de vivência de viola de buriti, como o violeiro Diego Brito, de Taquaruçu, além da oficina de vivência com tambores tradicionais do Tocantins, com Márcio Bello. Os grupos foram divididos para ouvir as instruções dos oficineiros que também fizeram demonstrações com os participantes.

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