Prisão do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro é determinada por Alexandre de Moraes

por Wenina — 10/01/2023 às 20:06 — em Destaques

Ex-titular da Justiça está nos Estados Unidos; ele foi exonerado de pasta do DF após ataques golpistas do 8 de janeiro

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a prisão do ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL), Anderson Torres. Torres reassumiu o comando da Secretaria de Segurança Pública do Distrito
Federal no dia 2 de janeiro e viajou de férias para os EUA cinco dias depois. Ele não estava no Brasil no domingo (8), quando bolsonaristas atacaram os prédios do STF, Congresso Nacional e Planalto.

O retorno ao país estava previsto para o fim do mês. A Polícia Federal deve cumprir a prisão no momento da chegada de Torres ao Brasil. A residência de Torres em Brasília é alvo na tarde desta terça-feira (10) de uma operação de busca e apreensão.

Ainda no domingo, Torres foi exonerado pelo governador do Distrito Federal, Ibanes Rocha (MDB) que acabou afastado por Moraes. A decisão foi dada em resposta a pedido do Advogado-geral da União, Jorge Messias, que solicitou a detenção em flagrante de Torres e de demais agentes que tiveram participação ou se omitiram para facilitar a invasão dos prédios dos três poderes.

O pedido cita a violação ao Estado democrático de Direito como base para
solicitar a prisão. A AGU ainda solicitou a investigação e responsabilização civil e criminal dos
envolvidos em atos ilícitos neste domingo, sendo “indispensável a determinação de apreensão de todos os veículos e demais bens utilizados para transporte e organização dos atos criminosos”.

Os pedidos foram encaminhados a Moraes, relator das investigações dos atos antidemocráticos no STF.

O ministro do Supremo também ordenou a prisão do ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, Fábio Augusto Vieira. O militar era o responsável pelo comando da Corporação no domingo, 8, quando bolsonaristas atacaram os prédios do Congresso, Palácio do Planalto e do STF. Ele já havia sido afastado do cargo pelo interventor federal Ricardo Capelli.

Nesta terça o interventor afirmou que a manifestação golpista promovida por militantes bolsonaristas foi possível devido à “operação de sabotagem” nas forças de segurança locais, naquele momento comandadas Torres.

A afirmação também foi feita pelo atual ministro da Justiça, Flávio Dino. Segundo ele, o efetivo da PM na Esplanada no dia dos ataques era menor do que o necessário para conter os
golpistas. “Havia um efetivo planejado e um efetivo real, em um certo momento esse efetivo era 3 ou 4 vezes menor que o planejado. Por que aconteceu isso? Realmente a cadeia de comando da polícia do DF que vai responder”, disse Dino.

Integrantes do governo federal relatam que, no sábado (7), foi realizada uma reunião com representantes da segurança do DF. Nesse encontro, segundo essas pessoas, o governo de Ibaneis Rocha (MDB) garantiu a segurança da Esplanada dos Ministérios.

Torres defendeu e afirmou no domingo, 8, que não foi leniente. “Não houve leniência, é a primeira vez que tiro férias em muito tempo. O planejamento foi feito”, disse. O ex-ministro também afirmou haver
mentiras sendo contadas.

“Não vim para os EUA para encontrar Bolsonaro. Não me encontrei com ele em nenhum momento. Estou de férias com a minha família. Não houve nenhuma trama para que isso [os atos golpistas] ocorresse”, declarou.

No começo da madrugada de segunda (9), o ex-ministro divulgou um pronunciamento nas redes sociais no qual diz que os atos de vandalismo em Brasília foram “um dos pontos mais tristes dos últimos anos da nossa história”. Ele também negou que teria sido conivente com o que ocorreu. “Lamento profundamente que sejam levantadas hipóteses absurdas de qualquer tipo de conivência minha com as barbáries que assistimos”, afirmou em texto.


Antes de ser exonerado, ele já estava na mira do governo Lula e integrantes do Supremo, que temiam pela atuação dele na secretaria. Na semana passada, o ministro Flávio Dino editou uma norma que abria espaço para que ele não permanecesse à frente do órgão do DF. Segundo a regra, qualquer servidor vinculado ao Ministério da Justiça que respondesse a inquéritos, ações penais e processos administrativos, entre outros, não poderia ser cedido a outro órgão.


Torres, policial federal, também já estava na mira das investigações relatadas
por Alexandre de Moraes. Ele foi ouvido e apontado como um dos envolvidos na organização da live de 29 de julho de 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro levantou suspeita sobre a segurança das urnas sem apresentar provas.

(Folha de São Paulo)

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