Projeto Energia para Crescer gera resultados positivos nas comunidades quilombolas do Jalapão

por Wenina — 23/09/2023 às 10:02 — em Cidades, Destaques

Atuando nas comunidades quilombolas do Mumbuca, Prata e Rio Novo, a Energisa, em parceria com o Sebrae, tem mudado a realidade dos quilombolas do Jalapão através do Projeto Energia para Crescer, com iniciativas que envolvem empreendedorismo e sustentabilidade

Resgate Cultural, Desenvolvimento Regional e Protagonismo Quilombola. Estes são os principais resultados obtidos por meio das iniciativas empenhadas pelo Projeto Energia para Crescer nas comunidades quilombolas do Jalapão. Desde 2021 a Energisa, em parceria com o Sebrae, vem desenvolvendo ações que resgataram nos moradores locais a sensação de pertencimento, elevação da qualidade dos serviços prestados aos turistas, e assim, maior rendimento econômico e social para os quilombolas.

O Projeto é realizado efetivamente nas comunidades quilombolas do Prata, em São Félix, além do Mumbuca e do Rio Novo, em Mateiros. As iniciativas contemplam desde o incentivo ao empreendedorismo, melhorias na rede elétrica, identificação visual, orientações para comercialização de produtos e serviços, até o apoio nas festividades tradicionais.

Com as ações já realizadas, o Energia para Crescer objetiva a qualificação dos produtos e serviços turísticos, fortalecimento da governança, promoção de produtos turísticos e do destino de base comunitária, e assim o fomento ao acesso a serviços financeiros e atração de investimentos, considerando a inclusão social, a geração de renda e a proteção ambiental.

Agricultura Sustentável

Uma das iniciativas tem como foco promover o desenvolvimento econômico e sustentável da região, além de fortalecer a produção de alimentos de qualidade e impulsionar o empreendedorismo local: a implantação do Sisteminha: Peixe e Horta, da Embrapa. Implantado nas três comunidades, o sistema conta com um tanque de peixe e instalação de uma horta, em que a irrigação é oriunda da própria água do tanque, promovendo a sustentabilidade, além da qualidade da alimentação das famílias.

Para a instalação os moradores foram orientados pelos técnicos do Ruraltins, e a partir de então fazem o manejo necessário para a produção. O esforço da Energisa e do Sebrae está impactando positivamente os moradores, que veem uma nova perspectiva de futuro, a exemplo do senhor Wilson Pereira Lobato, 59 anos, que junto com a esposa e quatro filhos, já obteve resultados positivos na criação dos peixes.

“Isso foi muito bom para nós, eles deram o suporte e foi um braço forte, pois trouxeram os alevinos e a ração. Eu tenho vontade e interesse em continuar, foi uma ideia boa, estamos aguardando ainda um outro tanque porque a gente tem um certo trabalho com um tanque só, mas serve muito para o consumo”, comenta seu Wilson.

Nascido e criado no Rio Novo, o quilombola comemora as iniciativas positivas do Energia para Crescer. “Eles deram muito apoio às pessoas que têm restaurantes, orientações para licenciamentos, dentre outras coisas. A Energisa instalou iluminação na avenida principal, então é um crescimento e investimento na comunidade”, destaca.

Já no Povoado do Prata o responsável por cuidar da horta é seu Antoninho Alves, 48 anos, que já obteve uma renda extra em conjunto com a esposa Lenir Francisca, além dos filhos, Pedro Henrique, Eduardo Francisco e Leiçane Francisca.

“Gostei muito do projeto Energia para Crescer e estamos acompanhando desde que foi implantado na comunidade. A gente aqui toma conta da horta e eu gosto muito, tem a criação do peixe, a horta, e a gente consome e vende também para comprar outros alevinos e a ração, além das bombas e sementes da horta. É um dinheiro que circula dentro do sistema, mas ajuda muito. Eu espero que esse projeto venha a crescer e continue”, comenta o morador.

No Quilombo Mumbuca cinco famílias cuidam da produção, que em breve vai contar também com a criação de galinhas. Na localidade, todas as famílias e empreendimentos são beneficiados. A presidente da Associação de Artesãos do Mumbuca, Railane Ribeiro, comentou sobre outras iniciativas do Projeto, voltadas também para o empreendedorismo.

“Esse projeto é gigante e muito especial porque foi construído aqui, desde a Festa da Colheita, até o sistema, disponibilização de sacolas personalizadas para a loja e mais embalagens de presentes com a nossa identidade, nosso jeito. Hoje a nossa Casa da Cultura é uma referência para os turistas, nós temos painéis com a nossa história. O sistema com a horta, nós já colhemos hortaliças para o consumo e sem contar que tem vários cursos, como drinks, organização de restaurantes, cartões de visitas, detalhes que nos inspiraram”, comenta.

A presidente disse que com as inciativas, houve crescimento no número de visitantes à comunidade. “Cada empreendimento hoje tem uma placa e todos receberam capacitação de consultores. Isso nos deu ânimo, atendemos cerca de 100 turistas por semana, o que nos incentivou a contar a nossa história e nos tornamos referência”, completou Railane.

Ações

Desde que iniciado nos quilombos tradicionais do Jalapão, o Projeto tem apoiado as festividades que reforçam a cultura local, a exemplo da Festa da Colheita do Capim-dourado no Povoado Mumbuca, que conta com estrutura de qualidade e ampliação das possibilidades para moradores e visitantes. Também recebe o apoio do Projeto a Festa da Rapadura, no Povoado do Prata, em São Félix. A celebração é uma das mais tradicionais e resgata a produção artesanal do doce que é comercializado, sendo uma herança secular para os quilombolas.

Todas as comunidades contaram com a modernização e identificação visual para melhor recepcionar os turistas. No quilombo Mumbuca, por exemplo, os empreendimentos e locais de recepção aos turistas receberam placas personalizadas. O projeto também lançou a coleção de souvenir com imagens que retratam a cultura do Rio Novo, com a paisagem e fauna local, a exemplo o lobo-guará e o pato mergulhão.

Locais importantes que também receberam placas foram as veredas de capim-dourado, com um objetivo louvável: a preservação da haste que é utilizada para o artesanato tradicional, sendo uma herança cultural para os moradores, evitando assim a colheita predatória. A iniciativa teve a parceria com o Ministério Público do Tocantins, Naturatins e Polícia Militar e possibilitou a conscientização para a colheita dentro do período estabelecido por lei, entre os dias 20 e 30 de setembro.

As comunidades tiveram ainda a modernização da rede elétrica através de investimentos da Energisa. No Povoado Mumbuca as vias têm agora postes e luminárias desde a entrada. A via principal do Quilombo Rio Novo também foi beneficiada com iluminação de qualidade, com postes e luminárias.

Resultados

O alcance de resultados positivos é reflexo no semblante das pessoas, além da adequação das necessidades das próprias comunidades, como demonstra o diretor de Relações Institucionais da Energisa, Alankardek Moreira. “Esse projeto promove desde a melhoria e modernização da rede elétrica até a preservação do capim-dourado que, por iniciativa dessa parceria, conseguimos estancar a colheita predatória e isso já é motivo para comemorarmos”, ressalta.

Segundo o diretor, o Energia para Crescer no Jalapão é um piloto que deve ser replicado em outras regiões. “O projeto foca em três pilares: resgate cultural, empreendedorismo e trazer para as comunidades uma forma de autossuficiência. E isso nós conseguimos fazer. O Sebrae é um parceiro que faz acontecer e tem profissionais de alto nível. Nossa preocupação foi identificar as características e anseios de cada comunidade e nós trabalhamos isso”, avaliou.

Para a analista técnica do Sebrae, Admary Monteiro, as ações relativas ao protagonismo dos moradores foram alcançadas. “Desde 2021, o Projeto tem contribuído significativamente para a melhoria das comunidades quilombolas, nós percebemos que as pessoas estão interessadas em empreender mais e nosso objetivo enquanto Sebrae é isso, fazer com que os moradores empreendam, ganhem dinheiro e sejam protagonistas do desenvolvimento sustentável da região do Jalapão, e não só ver o turista passando e não estarem ganhando com isso”, destacou.

Admary reforça que além do resgate cultural, as vivências locais agora são atrativas para os visitantes e turistas. “Viemos tirar eles das margens de todo esse fluxo turístico e colocá-los como protagonistas. Percebemos neste período em que estamos aqui o aumento da quantidade de visitantes, agências, empreendimentos na comunidade, e consequentemente o aumento da renda dessas pessoas que moram aqui e cresceram aqui”, comemorou.

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