Tocantins - 08/05/2026 - 03:28

SUS alcança 1 milhão de gestantes vacinadas contra vírus que causa bronquiolite em bebês

Imunização protege crianças ainda na gestação. O número de internações e óbitos nesse público, nos primeiros meses de vida, já apresenta redução de mais de 50% no país

Às vésperas do Dia das Mães, o Brasil alcançou a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em bebês. A imunização, oferecida de forma inédita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) , protege os recém-nascidos desde os primeiros dias de vida, fase em que o risco de complicações respiratórias é maior. Para celebrar a conquista, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vacinou uma gestante em Lauro de Freitas (BA), onde também anunciou a construção da primeira maternidade municipal da região.

“O Brasil voltou a ser referência em vacinação. Alcançamos a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos e derrotamos o negacionismo daqueles que atacaram as vacinas e enfraqueceram o Programa Nacional de Imunizações. Em três anos e meio, reconstruímos o PNI, incorporamos novas vacinas e ampliamos, ano após ano, a proteção da população. Seguiremos fortalecendo o SUS para garantir mais acesso à imunização e mais saúde para todos os brasileiros”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Alcançamos a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos e derrotamos o negacionismo daqueles que atacaram as vacinas”

O avanço da vacinação já reflete nos indicadores de saúde infantil. Até 18 de abril de 2026, as internações de crianças menores de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR caíram 52% em comparação com o mesmo período de 2023, passando de 6,8 mil para 3,2 mil casos. Os óbitos também registraram queda de 63%, de 72 para 27 mortes.

A vacina foi incluída no SUS em 2025, após análise técnica e recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) . A medida representa um avanço significativo para a saúde pública, especialmente considerando que, na rede privada, a mesma vacina pode custar até R$ 1,5 mil.

Ao todo, 1,8 milhão de doses foram distribuídas para a proteção de gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A estratégia está ativa em todo o país, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e busca garantir proteção antes do período de maior circulação do vírus, que costuma atingir o pico entre os meses de abril e maio.

A vacina estimula a produção de anticorpos pela mãe, que são transferidos ao bebê ainda durante a gestação. Essa proteção é fundamental nos primeiros meses de vida, fase de maior vulnerabilidade às complicações respiratórias. Estudos clínicos demonstram eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves em bebês nos primeiros 90 dias após o nascimento.

Estratégia ampliada: vacina e anticorpo monoclonal

Além da vacinação de gestantes, o Ministério da Saúde também oferta o nirsevimabe , um imunobiológico que garante proteção imediata contra o VSR. O medicamento é indicado para recém-nascidos prematuros (até 36 semanas e 6 dias de gestação) e crianças de até 23 meses com comorbidades, como cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal pronto, que passa a atuar logo após a aplicação, sem a necessidade de o organismo produzir anticorpos ao longo do tempo. A estratégia complementa as medidas adotadas pelo SUS para prevenir casos graves de bronquiolite em bebês.

Administrado em dose única, o medicamento oferece proteção por até seis meses e foi disponibilizado prioritariamente em maternidades e na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (CRIE).

Primeira maternidade municipal em Lauro de Freitas (BA)

Em visita ao município Lauro de Freitas, na Bahia, o ministro Padilha assinou a Ordem de Serviço (OS) para a construção da primeira maternidade municipal. O ato marca o início das obras e a liberação imediata de R$ 103 milhões em recursos do Novo PAC Saúde para a construção da unidade e aquisição de equipamentos. Com capacidade para 100 leitos, a maternidade atenderá mais de 3 mil pacientes do município e de cidades da Região Metropolitana de Salvador.

Foto: Carolina Antunes/MS

A nova estrutura representa um avanço estratégico para o fortalecimento da saúde materno-infantil, ampliando o acesso a serviços obstétricos e neonatais e contribuindo para a redução da mortalidade materna e infantil. A iniciativa também ajuda a diminuir vazios assistenciais, garantindo atendimento especializado e contínuo a gestantes, mães e recém-nascidos.

Com funcionamento 24 horas, a maternidade oferecerá assistência de média e alta complexidade, incluindo internações, atendimento ambulatorial e serviços de urgência e emergência ginecológica e obstétrica. O atendimento será realizado por equipes qualificadas, com foco na detecção precoce de riscos durante o pré-natal e no manejo seguro de emergências obstétricas e neonatais, com práticas baseadas em evidências e acolhimento humanizado.

Com a nova obra, os investimentos do Novo PAC Saúde em Lauro de Freitas somam R$ 109,1 milhões. Os recursos também contemplam novas Unidades Básicas de Saúde e equipamentos para fortalecer a atenção primária e especializada. Em toda a Bahia, os investimentos já ultrapassam R$ 2,5 bilhões, com mais de 2.800 propostas aprovadas para ampliar o acesso e qualificar o atendimento no SUS em diferentes regiões do estado.

A ampliação da rede de maternidades reforça o compromisso do Governo do Brasil com a garantia de um parto seguro e de assistência qualificada no momento em que mães e bebês mais precisam de cuidado, contribuindo para reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso à saúde.

Fonte: Agência Gov

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Cesi Sarah Gomes chega a 85% de execução com previsão de entrega este mês

Obra da Prefeitura de Palmas entra na etapa de finalização interna; estacionamento acessível começou a ser implantado nesta quarta-feira, 6

A construção do Centro de Educação e Saúde Inclusiva (Cesi) Sarah Gomes, localizado na quadra ACSU-SO 40 (401 Sul), em Palmas, atingiu 85% dos serviços executados. Conforme o cronograma da obra, conduzida pela Prefeitura de Palmas, por meio das secretarias municipais de Infraestrutura e Habitação e de Educação, a conclusão está prevista para este mês.

O espaço público, voltado ao fortalecimento do atendimento educacional a pessoas neurodivergentes, já conta com a parte externa praticamente concluída. No momento, as equipes concentram esforços na fase de acabamentos internos, com a instalação de forro, piso e sistemas elétricos.

Nesta quarta-feira, 6, a Secretaria de Infraestrutura e Habitação iniciou a construção do estacionamento, que contará com vagas reservadas e estrutura que garante acessibilidade aos usuários.

O método construtivo adotado utiliza módulos pré-fabricados em painéis isotérmicos, solução que proporcionou maior agilidade na montagem da edificação. Além disso, a tecnologia contribui para a redução de até 50% na temperatura interna e melhora o desempenho acústico dos ambientes.

O equipamento público

O Cesi terá 1.070,75 metros quadrados de área construída, com espaços amplos destinados à assistência especializada. A unidade contará com equipe multidisciplinar e estrutura adequada para o atendimento integrado nas áreas de educação e saúde voltado a pessoas neurodivergentes. 

Fonte: Secom Palmas

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Parque da Pessoa Idosa realiza baile em celebração ao Dia das Mães em Palmas

Evento ocorrerá na quinta-feira, 7, a partir das 18 horas e faz parte das atividades interativas realizadas para os frequentadores

A Prefeitura  de Palmas, por meio Secretaria Municipal de Desenvolvimento  Social (Sedes), realizará, na quinta-feira, 7, a partir das 18 horas, no Parque Municipal da Pessoa Idosa Francisco Xavier de Oliveira, um baile em homenagem ao Dia das Mães, celebrado em todo segundo domingo de maio.

O evento faz parte das atividades interativas realizadas para os frequentadores. “Todos os dias temos atividades interativas e esportivas, como ginástica, funcional, hidroginástica, vôlei, capoeira e várias outras e, quando chegam as datas comemorativas realizamos momentos especiais para que haja ainda mais oportunidade de convivência entre as pessoas que frequentam”, afirmou a gerente do Parque, Ilma Jardim Vieira.  

O parque

O Parque fica localizado na ACSU-SO 30, na avenida NS 01. Atualmente mais de 600 idosos frequentam o local onde são desenvolvidas atividades como: treinamento funcional, voleibol adaptado, academia ao ar livre, capoeira adaptada, ergonomia, rodas de conversa, orientação psicológica, grupo de convivência e avaliação física.

Para participar das atividades é necessário ter 60 anos ou mais e apresentar atestado médico que libere a participação do idoso em atividades físicas. 

Fonte: Secom Palmas

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Prefeito de Xambioá oficializa apoio a Vicentinho e Amélio: “simbolizam o que o Estado precisa”

A pré-campanha de Vicentinho Júnior e Amélio Cayres ao governo do Tocantins divulgou mais uma oficialização de apoio. Mayck Câmara, chefe do Executivo de Xambioá, manifestou agora oficialmente apoio à aliança PSDB/MDB na manhã desta quinta-feira, dia 7, durante encontro em Palmas.

“Nós que vivemos intensamente as questões municipais sabemos que Vicentinho e Amélio simbolizam o que o Estado precisa”, disse Câmara, que pertence ao partido presidido pelo governador do Estado, Wanderlei Barbosa, aliado da pré-candidata do UB, Dorinha Seabra.

“Desde o princípio tínhamos em mente que essa união seria o melhor para o Tocantins. É a junção da juventude de um deputado de quase 12 anos de mandato com a experiência. E o melhor: ambos têm capacidade e conhecimento do Estado como ninguém. A construção das ideias, os conceitos e as diretrizes da próxima gestão que tem sido desenhada por Vicentinho e Amélio são, de fato, o melhor para o Estado”, comentou o prefeito.

Na semana passada, Leonardo Noleto Moreira, chefe do Executivo de Santa Maria do Tocantins, do mesmo partido, havia feito a manifestação oficial.

Braços abertos

Vicentinho Júnior reforçou que o grupo o recebe de ‘braços abertos’. “A construção de um Tocantins melhor é feita com muitas mãos, corações e mentes. Os gestores, os líderes e os cidadãos comuns que chegaram, como o Mayck hoje, nos orgulham e os que querem vir serão recebidos da melhor forma possível para juntos fazermos a pacificação política e a estabilidade que o Estado necessita”, citou.

Fonte: Gazeta do Cerrado

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Governador Wanderlei inaugura colégio militar e participa de passagem de comando da PM nesta sexta, 8, em Araguaína

Com investimento de R$ 18.037.863,23, nova unidade escolar amplia a estrutura da educação no município

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, inaugura nesta sexta-feira, 8, em Araguaína, na região norte do estado, o Colégio Militar do Estado do Tocantins (CMTO) Jorge Humberto Camargo, antigo Caic, e participa da solenidade de passagem de comando do 2º Batalhão da Polícia Militar (2º BPM).

Às 15h30, o chefe do Executivo entrega a nova unidade escolar, construída com investimento de R$ 18.037.863,23. O colégio conta com 18 salas de aula, dois laboratórios, biblioteca, salas administrativas e pedagógicas, pátio coberto, refeitório, quadra poliesportiva coberta, auditório, guarita de segurança, passarela coberta, estacionamento para servidores e área de convivência.

Às 16h30, o governador participa da solenidade de passagem de comando do 2º BPM, no pátio da unidade. Na ocasião, o coronel QOPM Weslley Dias Costa passará o comando da unidade militar ao tenente-coronel QOPM José Roberto Carneiro.

Fonte: Secom-TO

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MATEIROS: Gestão autoriza início de obras de pavimentação em bloquetes

Prefeito Jesy Vieira assinou ordem de serviço no valor de R$ 1,2 milhão para obras que vão contemplar diversas ruas e avenidas do município

A Prefeitura de Mateiros deu mais um importante passo para melhorar a infraestrutura urbana do município. O prefeito Jesy Vieira assinou nesta quarta-feira, 6, a ordem de serviço que autoriza o início das obras de pavimentação em bloquetes em diversas ruas e avenidas da cidade. O investimento é de R$ 1,2 milhão.

A assinatura da ordem de serviço contou com a presença do vice-prefeito, Júlio Mokfa, o presidente da Câmara Municipal, vereadores, secretários municipais e representantes da empresa responsável pela execução da obra. Entre as autoridades presentes estavam o secretário municipal de Administração, Albenair Batista, o presidente da Câmara, Domingos Alves, do vice-prefeito Júlio Mokfa, além dos vereadores Sônia Batista, Silvanio Coelho e Kadida.

Durante o ato, o prefeito destacou a importância do investimento e agradeceu o apoio da equipe de gestão, vereadores e da comunidade. “O início dessa obra representa um momento muito importante para Mateiros. Ficamos muito felizes em dar o primeiro passo nessa construção que vai trazer mais conforto e qualidade de vida para a nossa população. Quero agradecer a Deus, à nossa equipe, aos vereadores parceiros e a todos que acreditam no nosso trabalho,” afirmou o prefeito Jesy Vieira.

As obras têm como objetivo garantir mais qualidade de vida, segurança e mobilidade para os moradores, além de contribuir para o desenvolvimento urbano e a valorização das vias públicas do município.

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Estudo revela que 53% das famílias raramente leem para criança

Desigualdade na aprendizagem está presente desde a educação infantil

Estudo internacional desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgado nesta terça-feira (5) aponta que 53% das famílias brasileiras nunca ou raramente leem livros para suas crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola de três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Nestas localidades, apenas 14% dos responsáveis fazem a leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana. A média internacional para essa atividade é de 54%.

Os dados são da publicação Aprendizagem, bem-estar e desigualdades na primeira infância em 3 estados brasileiros: Evidências do International Early Learning and Child Well-being Study (IELS).

O coordenador do levantamento e pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ), Tiago Bartholo, diz que a situação é crítica inclusive nas camadas mais ricas da sociedade, onde o índice de leitura frequente não atinge sequer 25%.

O pesquisador entende que o ponto central é que a importância da leitura compartilhada ainda não está clara para a população como parte importante do processo de alfabetização de uma criança. Além disso, a falta deste vínculo traz impactos negativos ao desenvolvimento infantil.

 “Essa informação ainda não está devidamente disseminada. São momentos muito importantes para o bem-estar e para o desenvolvimento das crianças.”

O resultado indica oportunidades para ampliar políticas intersetoriais e programas de apoio à parentalidade e para fortalecer a relação entre os parentes e as escolas de educação infantil.

“Nossa perspectiva é sempre pensar em família e escolas de forma conjunta, potencializando o bem-estar e o desenvolvimento das crianças”, diz Tiago Bartholo.

Radiografia do estudo

O estudo internacional coletou dados somente nestes três estados brasileiros – Ceará, Pará e São Paulo – devido a questões orçamentárias.

O levantamento está organizado em três grandes áreas do desenvolvimento de crianças de 5 anos, nas quais foram avaliados dez domínios. As áreas são:

  1. Aprendizagens fundamentais (conhecimentos básicos em linguagem e raciocínio matemático)
  2. Funções executivas (processos de autorregulação que permitem o controle da atenção, de impulsos e a adaptação a demandas e regras, e avaliação da memória de trabalho, flexibilidade mental)
  3. Habilidades socioemocionais relacionadas à compreensão de si e dos outros, à construção de relações sociais, como empatia, confiança e comportamento pró-social

Ao todo, foi registrada a participação de 2.598 crianças, distribuídas em 210 escolas, sendo 80% delas públicas e 20% privadas das três unidades da federação.

A metodologia do estudo IELS-2025 coletou individualmente dados das crianças, por meio de atividades interativas e lúdicas, organizadas em jogos e histórias adequadas à faixa etária.

O estudo também trouxe a percepção das famílias e dos professores sobre as aprendizagens, o desenvolvimento e o comportamento das crianças. As informações são coletadas por meio de questionários específicos para cada um dos públicos.

Os resultados inéditos – projetados em larga escala – podem servir como apoio para o Brasil criar políticas públicas efetivas para a primeira infância e, ainda, ajustar as estratégias nas áreas da saúde, educação e proteção social.

Habilidades iniciais

No IELS, a denominação de literacia emergente corresponde ao desenvolvimento de habilidades iniciais de linguagem (oral e de vocabulário) antes mesmo do processo formal de alfabetização.

Sobre este aspecto de domínio das aprendizagens fundamentais, o estudo registra que a pontuação em literacia foi a mais alta dentro da amostra brasileira e apresentou uma média de 502 pontos, ficando ligeiramente acima da média internacional, 500 pontos.

Neste domínio, houve pouca variação de resultados entre níveis socioeconômicos diferentes. A pontuação se concentrou em torno de um nível médio mais elevado.

Outra coordenadora da pesquisa do mesmo laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro Mariane Koslinski explica que uma das hipóteses para esse resultado positivo está no desenvolvimento de políticas públicas mais recentes.

“Na literacia emergente, o Brasil foi bem porque teve várias políticas que apoiaram a alfabetização, a formação de professores e isso contribuiu, muito provavelmente, para esse resultado”, estima a pesquisadora.

O estudo aborda também o domínio da numeracia emergente, conceito que envolve as primeiras noções de matemática desenvolvidas pelas crianças, incluindo habilidades como contagem básica, comparação de quantidades, reconhecimento e compreensão de relações espaciais e de tempo.

Neste ponto, diferentemente das habilidades de linguagem, o desempenho do Brasil em habilidades matemáticas iniciais (numeracia emergente) chegou a 456 e ficou 44 pontos abaixo da média internacional de 500 pontos.

Além disso, os resultados foram muito distintos entre as crianças da análise. Os resultados evidenciam desigualdades já presentes ao final da pré-escola e diferenças relevantes em numeracia.

Enquanto 80% das crianças de nível socioeconômico alto dominam o reconhecimento de numerais, esse índice cai para 68% entre as de grupos de baixo índice de desenvolvimento socioeconômico.

Recorte racial e de gênero

No estudo da OCDE, o Brasil foi o único país que fez o recorte racial dos resultados e analisou seu impacto na aprendizagem e no bem-estar das crianças.

Os resultados evidenciam as desigualdades que se acumulam e estão relacionadas ao gênero, raça e nível socioeconômico.

Meninos, pretos, pardos e indígenas e de menor nível socioeconômico enfrentam maiores dificuldades nas aprendizagens desde o fim da educação infantil.

Crianças pretas, de famílias beneficiárias do programa Bolsa Família e de nível socioeconômico mais baixo são as que tiveram menor pontuação em quase todas as dimensões pesquisadas, em especial no domínio da memória de trabalho e noções de matemática.

As desigualdades no Brasil ficam mais nítidas na comparação entre crianças brancas e pretas. Crianças brancas apresentam uma vantagem de 17 pontos no domínio da linguagem e uma diferença ainda mais alarmante de 40 pontos em numeracia.

Telas e aprendizado

O uso de tecnologias digitais está amplamente disseminado entre as crianças pequenas nos estados pesquisados no Brasil, concluiu pela primeira vez o estudo IELS-2025.

Apesar do levantamento não detalhar o número de horas diárias de exposição às telas, os pais ou responsáveis pelas crianças responderam que 50,4% das crianças usam dispositivos digitais todos os dias, como computador, notebook, tablet ou celular, com exceção de televisão.

O percentual do Brasil – pela primeira vez divulgado – é superior ao observado na média dos países participantes do IELS, onde 46% das famílias reportaram a frequência diária no uso de telas de dispositivos digitais.

No Brasil, apenas 11,4% das crianças participantes do estudo nunca ou quase nunca usam “telas”.

Os dados do estudo reforçam a importância do uso mediado e equilibrado.

O pesquisador da UFRJ Tiago Bartholo descreve que crianças que fazem uso diário de telas apresentam desenvolvimento e aprendizado médio menor em relação à compreensão de leitura, escrita e noções de matemática.

“Uma coisa é uma criança fazer um uso diário de 30 minutos, uma coisa muito diferente fazer um uso diário de três a quatro horas. E a gente sabe que esse tipo de comportamento existe.”

Outro aspecto destacado pelo estudo internacional sobre o uso de dispositivos digitais indica a baixa frequência no desenvolvimento de atividades educativas, no Brasil.

Cerca de 62% das crianças raramente ou nunca realizam atividades educativas em computadores, tablets ou celulares, enquanto apenas 19% usam esses equipamentos entre três a sete vezes por semana com foco educativo.

Crianças saem menos de casa

A realização de atividades ao ar livre – como caminhadas, brincadeiras livres e outras opções de lazer – é frequente para apenas 37% das famílias, abaixo da média de 46% nos países participantes do IELS.

Já 29% afirmam nunca realizar esse tipo de atividade ou fazê-la menos de uma vez por semana.

No entanto, o estudo destaca que o acesso das crianças a atividades fora de casa, como brincadeiras ao ar livre, visitas a bibliotecas, cursos, oficinas e aulas de música, dança ou esportes, “são experiências importantes para a exploração do ambiente e para o desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional, além de contribuírem para a criatividade, a resolução de problemas e a socialização”.

A explicação observada no estudo pode refletir barreiras como “custo, tempo, disponibilidade local de equipamentos culturais, esportivos ou de áreas verdes e hábitos familiares.”

Por isso, o pesquisador Tiago Bartholo defende que a prática de atividades físicas seja oferecida primeiramente no espaço da escola e deve ser considerada importante para o desenvolvimento infantil.

“A prática regular de atividade física está associada com melhores indicadores de saúde física e mental e está associada com mais cognição e tem impacto brutal na memória de trabalho.”

No Brasil, as famílias relatam menor frequência de outras atividades e interações que estimulam o desenvolvimento das crianças, como cantar, recitar poemas ou rimas infantis, desenhar ou pintar, brincar com a imaginação ou de faz de conta e contar uma história que não esteja no livro.

Ouvir a criança

Mais da metade das famílias (56%) relata que conversa com as crianças sobre como elas se sentem entre três e sete dias por semana.

Porém, esse bate-papo entre crianças e adultos brasileiros sobre emoções ocorre com menor frequência do que na média internacional, que chega a 76%.

O estudo explica que, ao longo da primeira infância, conversar sobre sentimentos, compartilhar materiais ou resolver pequenos conflitos “são oportunidades importantes para que as crianças aprendam a compreender as emoções e a construir relações sociais positivas. são relevantes porque fortalecem vínculos afetivos.”

Os domínios relacionados à empatia apresentaram as pontuações mais elevadas em relação à média internacional, com 501 pontos em atribuição de emoções e 491 pontos em identificação de emoções.

Funções executivas

As funções executivas avaliadas no estudo são as habilidades cognitivas das crianças da educação infantil que lhes permitem planejar, focar a atenção, lembrar instruções e lidar com múltiplas tarefas ao mesmo tempo.

A memória de trabalho (capacidade de armazenar e manipular informações) destaca-se como a mais afetada pelo nível socioeconômico, com diferença de 39 pontos entre crianças de nível alto e baixo, considerada uma diferença alta.

As médias brasileiras nos três domínios (memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade mental) estão abaixo da média internacional, com diferenças classificadas como moderadas a grandes e estatisticamente significativas.

OCDE

Atualmente, o Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância está no segundo ciclo e inclui o Brasil, Azerbaijão, Bélgica, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Holanda e Malta e Inglaterra.

O Brasil foi o único país da América Latina a participar da pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

No Brasil, o levantamento foi realizado com o apoio de um consórcio de instituições liderado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

Fonte: Agência Brasil

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Folha do Jalapão