Desmatamento do cerrado cresce no Tocantins em 2023 e preocupa especialistas

por Wenina — 23/06/2023 às 10:51 — em Estado

Só os desmatamentos autorizados cresceram em mais de 40%. Retirada da vegetação impacta diretamente a produção de água e a qualidade de vida da população.

Só em 2023 foram autorizados desmatamentos que somam 127 mil hectares no Tocantins. No mesmo período do ano passado, o número foi menor, ficou em torno de 90 mil. O aumento é de 41%.

Um grupo de trabalho que envolve promotores de todo o estado foi criado para analisar se se há descumprimento das regras ambientais. Nos painéis, os dados de sistemas integrados, facilitam o monitoramento.

“A gente consegue identifica, por exemplo, quais são os principais desmatadores no estado. As propriedades que foram mais desmatadas. Conseguimos identificar hoje qual é a dinâmica do desmatamento no Tocantins”, explicou o promotor Francisco Brandes.

O Tocantins é um dos principais estados da fronteira agrícola conhecida como Matopiba. E é na divisa com os estados do Maranhão, Piauí e Bahia que está o maior problema. Os plantios se expandem e a vegetação nativa recua.

Segundo o sistema de alerta, o Tocantins e o Maranhão foram responsáveis por 60% de toda a área que foi desmatada no bioma cerrado no mês de maio no país. No Tocantins o aumento foi de 52% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Os municípios, com mais alertas de desmatamentos são:

Desde o início do ano, o Ibama aplicou R$ 12 milhões em multas em operações com outras instituições. Só que mais medidas precisam ser tomadas, segundo explica o coordenador de fiscalização do Ibama no Tocantins, Edivaldo Dias Barbosa.

“Outro ponto que a gente gostaria que melhorasse bastante, que significa muito para melhorar nosso trabalho, é a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). É uma identidade da propriedade. Uma vez o CAR analisado, aquele interessado em trabalhar na terra vai ter acesso a uma autorização dada pelo órgão ambiental. Fica muito mais fácil da gente saber que aquela propriedade está autorizada ou não dentro do que a lei permite”, comenta.

Segundo a pesquisadora Mercedes Bustamente, da Universidade de Brasília (UNB), afirma que a situação é preocupante, pois o bioma cerrado no país já perdeu mais da metade de mata nativa. Isso afeta também a disponibilidade de água.

“Muito importante que o estado que permite esse desmatamento em larga escala entenda que está afetando a sua própria população porque os impactos do desmatamento, das queimadas e da redução da água vão ser sentidos inicialmente nos estados. Esses impactos depois se disseminam para o resto do país porque o cerrado também distribuía água para outras regiões, mas o primeiro local que sofre as consequências é a população local”, comentou.

Fonte: G1-TO

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