Desmatamentos destroem vegetação nativa e podem comprometer nascentes de rios no Tocantins

por Wenina — 19/09/2022 às 12:19 — em Estado

Desmatamentos ilegais têm avançado nas novas fronteiras agrícolas, na região do MATOPIBA.

No cerrado, o desmatamento ilegal avança nas novas fronteiras agrícolas, na região conhecida como MATOPIBA, que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Além de prejudicarem a vegetação nativa, as ações humanas podem comprometer o fornecimento de água.

Em uma fazenda no município de Dueré, sul do Tocantins, a Polícia Militar encontrou 3.800 hectares de cerrado derrubados ilegalmente por proprietários rurais. A técnica usada pelos infratores é motivo de preocupação.

“Eles fixam uma corrente em dois tratores e sai arrastando. Vai retirando toda a vegetação, acaba com tudo, deixa o solo desnudo”, relatou o capitão da PM Ambiental, Hallin Barbosa.

Em Guaraí, em outra fazenda, até uma carvoaria ilegal funcionava na área devastada. Em quatro meses, a fiscalização aplicou mais de R$ 7 milhões em multas.

Segundo a ONG, MapBiomas, o desmatamento ilegal está avançando rapidamente nas áreas agrícolas do Brasil. O Ministério Público Estadual diz que a legislação mais frágil favorece crimes ambientais nos estados onde o cerrado está presente.

“Outros biomas têm uma legislação ambiental mais protetiva do que o cerrado. Então, talvez essa questão da ausência de uma legislação forte, firme na proteção desse bioma pode ser sim um incentivo para os desmatamentos que nós estamos vendo nos dias de hoje”, afirmou o promotor de Justiça, Francisco Brandes.

Além da perda da vegetação, o desmatamento no cerrado preocupa também por causa dos rios. Oito das 12 bacias hidrográficas brasileiras têm origem no bioma cerrado, considerado fundamental para o abastecimento de grande parte do Brasil.

“Quando você perde a vegetação, a cobertura vegetal, na beira dos rios ou no entorno de uma nascente, as nascentes se secam e os rios se arroreiam. Isso compromete a disponibilidade de água naquele entorno”, afirmou o pesquisador da UFT, Renato Torres.

Em uma fazenda agrícola, em Brejinho de Nazaré, a fiscalização multou o proprietário em R$ 500 mil por desviar o curso de um rio para dois canais que irrigam plantações da própria fazenda.

“Já há estudos identificando que no ritmo de desmatamento atual, a gente pode ter, no futuro, somente manchas de cerrado, ou então a vegetação nativa somente residual”, finalizou Francisco Brandes.

(G1-TO)

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