Em coletiva de imprensa, delegado afirma que Menino Gustavo pode ter sido torturado antes de ser morto

por Jornal Folha do Jalapao — 06/08/2026 às 12:56 — em Cidades

Delegado Eduardo Meneses afirmou que os elementos reunidos até agora evidenciam um episódio de violência extrema antes do homicídio.

O advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, de 23 anos, e a companheira dele Kathellen Moreira, de 23 anos, vão responder pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura do menino Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, conforme informado pelo delegado Eduardo Meneses. O casal foi preso na madrugada desta quinta-feira (6), em Palmas.

Durante coletiva de imprensa, o delegado afirmou que os elementos reunidos até agora evidenciam que as graves lesões encontradas na região anal e intestinal da criança ocorreram em um contexto de violência extrema e foram usadas como instrumento de tortura.

“O que a gente entendeu é que essas lacerações no ânus e no intestino fazem parte desse contexto de forte agressão. Então, foi um instrumento de meio de tortura”, declarou Menezes.

O delegado afirmou que a suspeita de violência sexual não foi totalmente descartada e ressaltou que a tipificação dos crimes ainda poderá ser alterada conforme o resultado de novas perícias.

“Se no laudo cadavérico houvesse apenas as lesões anais e intestinais, nós estaríamos diante de um crime de estupro seguido de morte. Como há, somado a essas lesões, lesões na cabeça e hemorragia interna, a gente afastou inicialmente a ocorrência de uma relação sexual”, explicou.

A defesa de Igor Gustavo afirmou que ele colaborou com as autoridades desde o início, colocando-se à disposição e combinando previamente sua entrega após o mandado de prisão. A defesa ressalta que não houve captura após buscas, mas sim cumprimento acordado da ordem judicial, e informa que não comentará detalhes do caso devido ao sigilo das investigações.

Morte suspeita

A defesa de Igor Gustavo afirma que o menino se afogou no domingo (2) na piscina de casa, mas foi socorrido na própria casa. Na manhã de segunda-feira (3), o pai teria encontrado a criança sem sinais vitais. A defesa alega que, abalado e desorientado, o pai deixou a residência, mas depois se apresentou espontaneamente à delegacia, comunicou o ocorrido, prestou esclarecimentos e entregou as chaves da casa para os trabalhos da polícia e da perícia.

O laudo pericial afirma que a morte de Gustavo ocorreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”. A criança sofreu hemorragia interna e apresentava marcas de agressões pela face e laceração intestinal.

Exames complementares para pesquisa de sêmen, álcool e drogas foram solicitados e serão incorporados posteriormente à investigação conduzida pela Polícia Civil.

Igor Gustavo e Sabrina da Silva Feitosa, mãe do menino, não moravam juntos e viviam disputas judiciais. Um vídeo gravado no fim de semana do crime mostra a criança se recusando a ir para a casa do pai. Nas imagens, ao ser questionado pela mãe sobre o motivo de não querer visitá-lo, a criança responde: “Porque ele me bate”.

Advogados de Sabrina da Silva Feitosa, mãe do menino, informaram à TV Anhanguera que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão.

“Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas em relação a isso no momento”, disse a advogada Stella Bueno.

O diretor do IML, Eduardo Godinho, comentou que o estado em que a criança chegou ao IML é incomum. “Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Até agora, primeiro exame não tem indício nenhum de afogamento. Ali realmente foi outro tipo de trauma que levou à causa da morte”, afirmou.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Íntegra da nota do advogado de Igor Gustavo

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa esclarece que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial, informando que Igor se entregaria voluntariamente caso a medida fosse decretada.

Após a expedição do mandado, a defesa manteve contato com a autoridade policial e ficou ajustado que Igor se entregaria na própria residência onde se encontrava. Ele permaneceu no local e aguardou a chegada da equipe policial, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento da ordem judicial, sem qualquer tentativa de fuga ou resistência.

Portanto, embora a prisão tenha sido formalmente cumprida em uma residência, não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável, mantendo a postura de colaboração adotada desde o início das investigações.

Em respeito ao sigilo da investigação, a defesa não se manifestará, por ora, sobre aspectos específicos do caso.

Fonte: G1-TO

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