Estado determina fornecimento de água potável a Xerentes após morte de peixes

por Wenina — 18/01/2023 às 11:05 — em Estado

Lideranças suspenderam o uso da água para evitar problemas de saúde. Água será fornecida por meio da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) em parceria com a Agência Tocantinense de Saneamento (ATS).

O governo do Tocantins determinou que seja fornecida água potável aos indígenas da aldeia Kãkaka, do povo Xerente, afetados pela má qualidade da água do rio Gorgulho, localizado entre as cidades de Tocantínia e Pedro Afonso. Na área eles encontraram uma grande quantidade de peixes mortos e suspeitam de uma contaminação. O problema afeta cerca de 100 indígenas, além dos ribeirinhos.

Conforme o Estado, a água será fornecida por meio da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) em parceria com a Agência Tocantinense de Saneamento (ATS).

“A pedido do Governo, a BRK Ambiental também disponibilizou o sistema de abastecimento de água potável da empresa em Miracema para ajudar o fornecimento ao povo Xerente durante os próximos 15 dias, caso seja necessário”, informou o governo.

O rio Gorgulho é um afluente do Rio Tocantins e é o único disponível para três aldeias do povo Xerente, que precisa da água para sobreviver. Há uma semana, a pesca e o consumo da água foram suspensas pelas lideranças que denunciaram a situação.

Ruan Carlos Xerente, de 12 anos, sente falta da liberdade que tinha antes da contaminação. “Quando o rio tava bom a gente pescava, pegava os peixes, fritava. Agora não tem como. Esse veneno que deu, agora não tem como mais”, disse.

Segundo as famílias, peixes mortos foram encontrados em um percurso de 30 km. “Foram três dias seguidos morrendo os peixes. Eu tive que pedir ajuda para a Funai, para o Naturatins, Ibama, Polícia Federal “, disse o cacique Ranulfo Xerente.

A reserva Xerente fica próxima a uma das principais produtoras de grãos do Tocantins e há plantações ao lado da mata onde vivem os indígenas. “Nossos córregos eram todos naturais e agora com essa plantação e a gente fica com uma preocupação muito grande”, disse o professor Silvino Xerente.

O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) fez diligências na região, pediu explicações aos agricultores e coletou amostras da água em quatro pontos diferentes. “Os testes estão sendo realizados por laboratório especializado e devem ser fornecidos o mais rápido possível visando a retomada da normalidade na aldeia indígena”, disse o governo.

A situação também afeta ribeirinhos da região, como Pedro Soares da Silva. “A gente ficou triste com isso porque são sete famílias que moram aqui. Tem meu pai com 97 anos, está bem de idade. Tem meus filhos, meus netos. Todos dependem dessa área. Tem que tomar providência para melhorar para nós”.

Especialistas alertam para os riscos de contaminação. A pesquisadora em saúde pública da Fiocruz, Fernanda Savicki de Almeida, chamou a situação de etnocídio. “São nos e anos de denúncia em diferentes locais do Brasil, com diferentes etnias, com diferentes povos. Além de um caso grave de violação dos Direitos Humanos, isso também se trata de um caso grave de saúde pública e que a gente tem que olhar com mais atenção para essa questão”, disse.

(G1-TO)

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