Estudo aponta que mais de 280 mil tocantinenses estão em situação de fome

por Wenina — 22/09/2022 às 12:31 — em Destaques

Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar pelo menos 130 mil crianças estão dentro desta estatística.

Acordar todos os dias sem saber o que vai ter de refeição na mesa ou alimentar os filhos é uma triste realidade de mais de 280 mil tocantinenses. Desempregada e com uma criança de um ano e quatro meses para criar, a dona de casa Layane Alves Cardoso passa por isso diariamente. Sua única renda são os R$ 600 do Auxílio Brasil, que não suficientes para o mês todo.

“Há três meses que estou aqui e tudo ficou mais complicado. Eu cheguei com meu filho e realmente estou precisando”, contou Layane, que mora em um barraco improvisado. Ela não tem como arrumar um emprego porque precisa cuidar do pequeno Yan, já que não conseguiu vaga em uma das creches municipais.

A situação de Layane infelizmente se encaixa na estatística de insegurança alimentar divulgada através e um estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar.

“Isso é reflexo de uma crise econômica que o país passa. A sociedade brasileira precisa fazer escolhas e gerar emprego de qualidade para os adultos para garantir a segurança, inclusive a segurança alimentar para as próprias pessoas e sobretudo para as crianças que ficam mais vulneráveis”, explicou o sociólogo Luiz Antônio.

Em outro barracão da capital, a também dona de casa Andressa Rodrigues da Silva só está conseguindo alimentar os três filhos graças a uma sopa doada aos sábados na região sul de Palmas e através de alimentos dados por quem conhece suas dificuldades.

Ao todo, 1,48 milhão de tocantinenses vivem com algum nível de insegurança alimentar que pode ser leve, moderada ou grave, isso corresponde a 65,2%da população. Dentro dessas famílias vivem pelo menos 130 mil crianças com menos de 10 anos.

Ainda segundo o estudo, apenas 559 mil moradores conseguem se alimentar direito, ou seja, tem acesso a todos os alimentos que uma pessoa precisa e na quantidade correta.

Consequências da fome para as crianças

Segundo a médica Fernanda Kimura Galvão, diversas consequências negativas podem surgir para quem não consome a quantidade de nutrientes necessária para o desenvolvimento, principalmente para as crianças.

“Podemos ter problemas nas habilidades de escrita, de memória, de leitura. Então as crianças que passam fome, que têm uma alimentação restrita podem ter problemas no aprendizado”, explicou.

O que diz a prefeitura

Sobre a falta de vagas em creches, a Prefeitura de Palmas informou que é necessário que o responsável cadastre o estudante no Sistema Integrado de Matrículas de Palmas (SIMPalmas) e que o município só é obrigado a oferecer vagas para crianças com mais de quatro anos.

(G1-TO)

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