Tocantins - 19/08/2022 - 04:44

Folha do Jalapão

HOMENAGEM:  Cantor Missim da Viola de Buriti compõe música para amigo e colega de palco, Maurício do Mumbuca, falecido neste ano

Postado em 16/12/2021

Nesta semana o amigo e colega de palco de Maurício Ribeiro, Missim da Viola de Buriti, lança uma composição musical em homenagem ao cantor tradicional do Jalapão, precursor da cultura da Viola de Buriti, que faleceu neste ano deixando uma profunda tristeza em amigos e familiares, e em toda a Região. 

“…Quando eu pego minha viola, eu lembro de meu irmão, foi ele quem me convidou para ir ao Jalapão.  Foi embora e deixou saudade e tristeza. Eu me lembro que nós tocava e cantava, violinha de vereda… “…Violinha de Vereda, Viola de Buriti, quem tanto te tocou, não está mais aqui. Fico me perguntando, meu Deus não acredito, homem de fé e coragem, eu faço essa homenagem ao violeiro Maurício…”, diz um trecho da canção de Missim, que relata a história dos amigos e fala também do amor à violinha.

É com a música Saudade do Meu Amigo, que o cantor Missim da Viola de Buriti, encontra forma de expressar o amor que sente pelo amigo, que ele homenageia com uma composição que fala de amizade, amor e de muita saudade, em despedida ao amigo que faleceu em outubro.

Perda

A música é uma forma de chegar ao coração das pessoas em forma de arte, letra e canção. O setor musical e a cultura do Tocantins perderam um de seus grandes artistas neste ano, vítima de Covid-19. Maurício da Viola de Buriti, de 48 anos, foi um espelho para os amantes das tradições de Jalapão em todos os sentidos, e deixou um legado, sendo precursor nato das músicas tocadas com a Violinha que sempre encantou a todos.

Emoção

Missim se emociona ao relatar que a partir do momento em que conheceu Maurício, tão rápido ele faleceu, mas apesar do pouco tempo de convívio, foi o suficiente para construir uma amizade sólida, em que ambos sempre foram apaixonados pela música e pela Viola.

“Essa foi a forma que eu achei de fazer essa homenagem. A gente ia ao Jalapão para fazer a homenagem na Mumbuca mesmo, junto com a família, e não deu certo, então resolvi fazer a música contando a nossa história, como começamos a nossa amizade. Quando soube da notícia fiquei triste demais, até hoje é difícil para mim falar. Nunca me apeguei com uma pessoa tão rápido como ele, que se tornou minha inspiração. A humildade e simplicidade dele me conquistaram, fizemos uma amizade tão rápido que até mesmo expressar é difícil”, disse o cantor.

História

Os dois se encontraram pela primeira vez em julho deste ano em um Festival voltado à cultura do Jalapão, no município de Rio Sono. A partir daí começou a se construir uma relação de amizade e muita admiração. O próprio Maurício convidou Missim a se apresentar na última Festa da Colheita do Capim Dourado, em setembro, no Povoado Mumbuca.

“Nós construímos uma amizade muito grande, tanto que foi ele que me convidou para ir nesse evento, e lá nós tocávamos juntos, cantávamos juntos. Quando estávamos saindo para o show no sábado à noite ele me pediu para tirar uma foto, e me falou que não ia porque não estava bem, disse que o que eu fizesse estava bom. Naquela viajem passei a gostar da Mumbuca, a amizade que eu tinha com ele é a mesma que tenho hoje com a família dele”, relembra Missim.

Legado

Os moradores do Povoado Mumbuca, localizado em Mateiros, se emocionam também a ver que o legado deixado por Maurício terá continuidade. Missim deixa sua mensagem de amor e fala da eterna saudade do amigo e cantor que foi uma grande inspiração. “Tenho a dizer que amo muito eles, e quero estar junto com eles em todos os momentos que precisarem de mim. Eu viajo e por onde passo eu falo da Mumbuca, falo dele, de onde a viola saiu, que ele que criou a cultura da viola de buriti. Quando pego a viola, quando subo no palco ele me vem na memória. Sempre vou fazer de tudo para dar continuidade ao legado dele, apesar de nunca poder substituí-lo”, conclui.

O artista difundiu a cultura do Jalapão, em especial da comunidade quilombola do Mumbuca, em Mateiros, em todo o Brasil, inclusive por meio de projetos culturais. A viola de buriti foi criada pelo avô de Maurício, seu Antônio. O instrumento era parecido com uma rabeca, precursor do violino. Foi Maurício quem a adaptou para ser tocada como uma viola

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