Núbia Dourado lança EP autoral que celebra a força feminina e as raízes culturais do Jalapão

por Jornal Folha do Jalapao — 22/09/2026 às 17:12 — em Cidades, Destaques

Com seis faixas, “Jalapoeira” reúne referências à cultura tocantinense, sentimentos e memórias da cantora e compositora natural de Rio Sono e criada no Jalapão.

A força das mulheres, os ritmos da cultura popular, as paisagens do Cerrado e as memórias construídas no Jalapão dão o tom de “Jalapoeira”, novo EP autoral da cantora e compositora tocantinense Núbia Dourado. O trabalho, que já está disponível no Spotify e nas demais plataformas digitais, reúne seis faixas que percorrem temas como amor, maternidade, identidade cultural e valorização dos saberes femininos.

Natural de Rio Sono e criada no Jalapão, Núbia leva para a música experiências ligadas ao território onde cresceu. O nome do EP traduz essa relação: “Jalapoeira” representa a identidade de uma mulher que encontra nas próprias raízes a inspiração para cantar suas vivências, reconhecer a cultura de seu povo e valorizar a força das mulheres tocantinenses.

Com participação autoral em todas as faixas, a artista reafirma sua atuação como compositora e assume a narrativa de um trabalho que atravessa diferentes dimensões de sua trajetória pessoal e artística. A única parceria de composição do EP está na música “Te Encontrar”, escrita em conjunto com o músico Gilcelio da Costa Neto.

Entre o amor, a cultura e a força feminina

O repertório de “Jalapoeira” é formado pelas canções “Jalapoeira”, “A Força da Mulher”, “Roda a Saia”, “Te Encontrar”, “D de Dom” e “Será que Era Amor de Verdade?”. As faixas apresentam diferentes perspectivas da artista, alternando celebrações culturais, experiências afetivas e manifestações de amor e pertencimento.

A música que dá nome ao EP destaca a força da mulher do Jalapão e faz referência a elementos que integram a identidade regional, como o capim-dourado, as veredas e as paisagens do Cerrado. A canção estabelece a conexão entre a trajetória de Núbia e o território que inspira sua produção musical.

Em “A Força da Mulher”, a compositora direciona o olhar para mulheres negras, indígenas, quilombolas, quebradeiras e ribeirinhas. A letra valoriza o trabalho, a resistência e os conhecimentos transmitidos por gerações, destacando diferentes experiências femininas presentes na cultura e na vida cotidiana.

As tradições musicais também ocupam espaço no repertório. “Roda a Saia” reúne referências à suça, à catira, à jiquitaia e ao catirandê, aproximando a canção de manifestações populares e da diversidade cultural do Tocantins e da Amazônia.

A dimensão romântica do EP aparece em “Te Encontrar”, faixa de sonoridade dançante que conta com a participação vocal de Fábio Rocha Sobrinho e músicos ligados ao Trio Bacana. A gravação reúne Gilcelio da Costa Neto, no acordeon; Osias Fernandes de Oliveira, no baixo; e Eduardo Evelin Bassotelli, no triângulo.

A maternidade é o tema central de “D de Dom”, que traz a participação especial de Davi, filho da cantora. A composição transforma o nome do filho em uma declaração de amor materno e aproxima a produção musical da experiência familiar de Núbia.

Fechando o repertório, “Será que Era Amor de Verdade?” aborda as dúvidas, os sentimentos e as marcas deixadas por uma relação. A faixa apresenta uma interpretação voltada à reflexão sobre o amor e as experiências que permanecem depois de um relacionamento.

Um trabalho construído a partir das raízes

Para Núbia Dourado, o lançamento representa uma oportunidade de apresentar ao público um trabalho conectado à sua história pessoal e às referências culturais que acompanham sua trajetória.

“Este EP nasce das minhas raízes, dos meus sentimentos, da minha história e do amor que tenho pelo Jalapão. Ser jalapoeira é carregar a força do nosso povo, a beleza do Cerrado e a resistência das mulheres tocantinenses. É um trabalho muito verdadeiro, que mostra quem eu sou como mulher, cantora e compositora”, afirma a artista.

A trajetória de Núbia na música ultrapassa duas décadas. Cantora, compositora, apresentadora e produtora cultural, ela foi revelada no cenário pop tocantinense em 2002 e participou do programa Fama, da Rede Globo, em 2005, quando chegou à semifinal. Ao longo da carreira, lançou trabalhos como “Por Sua Causa”, “Finos, Versos e Canções”, “Lugar Secreto”, “Amor Distante” e “Eu Tenho Fé”.

Produção musical e equipe

A produção musical e os arranjos de “Jalapoeira” são assinados por Renato Moreira Mota, que também participa da execução de baixo, teclado, guitarra, piano, violão, sintetizadores, loops e batidas eletrônicas.

O EP conta ainda com Murilo Fernando Borges Pontes, na percussão; Gilcelio da Costa Neto, no acordeon; Missim da viola de buriti, na viola de buriti; Ananias Amauri do Nascimento, na guitarra; Márcio Bello dos Santos, no caxambu, fuxico e roncador; Tibless, no backing vocal; Osias Fernandes de Oliveira, no baixo; Eduardo Evelin Bassotelli, no triângulo; Fábio Rocha Sobrinho, na participação vocal; e Davi Fernandes Gama, em participação especial.

A gravação, a mixagem e a masterização foram realizadas por Renato Moreira, no Estúdio Pauta, em Palmas, Tocantins.

Realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB/PAAR 2024), por meio do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Tocantins, o EP “Jalapoeira” amplia o registro da produção autoral de Núbia Dourado e leva para as plataformas digitais um repertório marcado pela cultura regional, pelas relações afetivas e pela identidade de uma artista que tem o Jalapão como uma de suas principais referências.






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