Tocantins - 20/06/2021 - 16:08

PMs alteraram local de acidente após atropelar adolescente em Palmas, diz laudo

Postado em 28/03/2019

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O laudo pericial sobre a morte do adolescente Leandro Rocha da Cunha, de 16 anos, aponta que o rapaz foi atropelado por uma viatura da Polícia Militar. Os indícios coletados no local do acidente e destacados na perícia mostram ainda que a cena do crime foi alterada antes da chegada dos peritos. O soldado que dirigia o carro foi preso temporariamente nesta quarta-feira (27) após pedido da Polícia Civil.

O adolescente morreu após ser atingido por uma viatura na noite de 20 de março no Jardim Aureny IV, na região sul de Palmas. Parentes contaram que o menor estava indo para a casa da namorada de bicicleta quando foi atingido. A investigação sobre o caso está sendo feita pela Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) de Palmas.

Uma testemunha contou à polícia que viu o momento exato do acidente. De acordo com o depoimento, o adolescente passou correndo na bicicleta e estava sendo seguido pela viatura da polícia.

Quando o adolescente virou uma esquina na contramão e reduziu a velocidade para subir na calçada, o carro da polícia teria acelerado e passado por cima dele. Para isso os militares também invadiram a contramão da avenida.

O depoimento diz também que após o adolescente ser socorrido, os militares alteraram a cena do crime, colocando a viatura na mão correta da avenida e isolando o local.

A mesma constatação foi apontada pela perícia. Segundo o laudo, a viatura seguia no mesmo sentido da bicicleta. Porém, o carro foi encontrado estacionado no sentido contrário.

O laudo ainda apontou que a viatura estava a mais de 45 km/h quando atingiu a bicicleta por trás. O carro chegou a subir na calçada e arrastou o adolescente por alguns metros.

Dois militares estavam na viatura no momento do acidente, mas a Polícia Civil conseguiu identificar apenas o soldado Silvestre Vieira de Farias Filho, que estava dirigindo o carro. A PM ainda não informou aos investigadores quem era o outro militar que estava no carro.

Outro lado

A defesa do PM disse que aguarda ter acesso ao laudo para se manifestar.

A PM disse que não teve acesso ao laudo da perícia e que assim que receber oficialmente o resultado, juntará aos autos do Inquérito Policial Militar para instrução criminal. Sobre as circunstâncias do acidente, a PM disse que serão esclarecidas ao final do referido Inquérito.

O soldado Silvestre Vieira foi preso na tarde desta quarta-feira (27) em Palmas. Ele dirigia a viatura que atropelou e matou o adolescente. Antes de ser levado ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, o PM foi ouvido na sede da DHPP.

O processo tramita em segredo de justiça e também foi instaurado procedimento administrativo, junto a Corregedoria Geral da Polícia Militar do Estado.

O advogado Indiano Soares, que representa Silvestre Vieira de Farias Filho, criticou o pedido de prisão. “Não tem qualquer sustentação ou justificativa. O militar esteve aqui na segunda-feira, o senhor delegado, por meio da sua escrivã, não quis atender o militar, juntamente os dois militares. E pega, temos uma surpresa, com uma representação de pedido de prisão com a justificativa de que não estava encontrando os militares”, disse ele. O advogado afirmou que vai pedir a revogação da prisão e que considera que o acidente foi uma fatalidade.

O major De Souza, comandante do 6º Batalhão da PM em Palmas, onde o soldado está lotado, emitiu um posicionamento. Ele afirma que o militar é “honrado, trabalhador, disciplinado, ético, possui endereço fixo e se apresentou espontaneamente”. Pediu a imparcialidade das investigações e afirmou que “falsas acusações e leviandades contra qualquer policial militar do 6º BPM não serão admitidas”.

(Com informações do G1 Tocantins)

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