Preso, ex-comandante da PM-DF diz que Exército impediu prisões de terroristas

por Wenina — 19/01/2023 às 15:18 — em Destaques

Ele afirmou que setores de inteligência indicaram que atos seriam pacíficos e que não houve ‘nenhuma tentativa’ de facilitar ataques.

Em depoimento à Polícia Federal, após ser preso, o ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Fábio Augusto Vieira, disse que o acampamento golpista de bolsonaristas no Quartel-General do Exército “contribuiu muito” para os atos terroristas cometidos em Brasília no dia 8 de janeiro. O PM é investigado por suspeita de omissão na contenção dos atos e está preso.

Ele afirmou ainda que, por diversas vezes, a segurança do DF tentou desmobilizar o grupo, mas foi impedida pelo Exército. Além disso, segundo o ex-comandante, no dia dos atos terroristas, o Exército impediu a entrada de PMs no local para prender suspeitos.

O local onde estava o acampamento, no Setor Militar Urbano, é de responsabilidade da força. Após os atos, o grupo foi retirado do local e 1,8 mil pessoas acabaram detidas.

O militar também disse que setores de inteligência de diversos órgãos indicaram que atos seriam pacíficos. Alegou ainda que não participou de ‘nenhuma tentativa’ de facilitar os ataques.

Acampamento e impedimento de prisões

Segundo o coronel, após o dia 12 de dezembro, quando vândalos bolsonaristas tentaram invadir a sede da PF e depredaram a capital, houve uma reunião entre a cúpula da Secretaria de Segurança do DF e o Exército para desmobilizar o acampamento.

Fábio Vieira afirmou que, “por duas vezes tentaram fazer essa desmobilização dos acampamentos, mas não obtiveram êxito por solicitação do próprio Exército; que a PMDF chegou a mobilizar cerca de 500 policiais militares, mas o Exército entendeu que era melhor eles fazerem essa desmobilização utilizando seus próprios meios”.

Ainda de acordo com o militar, “a permanência do acampamento contribuiu muito para o ocorrido no dia 08/01/2023”.

Segundo o ex-comandante, no dia dos atos, “já restabelecida a ordem, foram tentando encurralar o efetivo para tentar realizar prisões de quem estava no lugar”. Fábio Vieira afirmou que foi marcada “uma reunião em frente à Catedral Rainha da Paz, e o Exército já estava mobilizado para não permitir a entrada da Polícia Militar”.

Esquema de segurança

O PM afirmou no depoimento que estava prevista a atuação de 440 militares durante os atos. De acordo com o ex-chefe da corporação, setores de inteligência de diversos órgãos afirmaram que a previsão era de um ato pacífico.

Segundo Vieira, “a informação era de que havia ânimo de tranquilidade para essa manifestação específica”. Após os ataques, de acordo com o militar, o efetivo passou de 2,6 mil servidores. No entanto, afirmou que a PM não conseguiria controlar a situação sozinha.

“[Disse] que para conseguir deter as invasões não bastaria quantitativo de policiais; QUE há necessidade de participação de outras instituições como as seguranças do Congresso, STF e Planalto; QUE na ocorrência do “efeito manada” não basta a linha de policiais”, alegou.

O militar disse ainda que “não houve por sua parte nenhuma tentativa de facilitar que essa situação ocorresse. Que sempre tentou evitar e quando não conseguiu, tentou desobstruir”.

Ataques terroristas

Fábio Augusto Vieira era o responsável pela PMDF no dia 8 de janeiro, quando ocorreram os ataques terroristas de bolsonaristas contra o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

A polícia e o governo do DF, que são responsáveis pela segurança dos prédios do governo federal e de outros poderes em Brasília, vêm recebendo duras críticas pela atuação durante os atos de vandalismo.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um grupo de policiais que observa, sem reação, a invasão de bolsonaristas ao Congresso Nacional.

Na segunda-feira após os ataques, Fábio foi exonerado do comando da PM. No lugar dele, assumiu o coronel Klepter Rosa Gonçalves.

Já no dia seguinte, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão dele. Fábio foi detido no mesmo dia e é mantido no Regimento de Polícia Montada (RPMon) da PM.

(G1)

Compartilhe no:
MAIS NOTÍCIAS

Você pode gostar

Ageto retorna a Novo Acordo e dá continuidade a serviços na cidade

A Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) retornou a Novo Acordo...

Rio Sono vive tarde de tradição e cultura com grande cavalgada pelas ruas da cidade

Fotos: Regilan Marinho Evento reuniu centenas de cavaleiros e amazonas, autoridades e...