Previsão é de que o Tocantins sepere 10 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/2027

por Jornal Folha do Jalapao — 29/10/2026 às 07:39 — em Estado, Sem categoria

Estimativa da Conab aponta produção de 10,03 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação ao ciclo anterior; área plantada deve crescer 4,9%, enquanto irregularidade das chuvas pode afetar o desempenho das lavouras

O Tocantins tem previsão de produzir 10,03 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/2027, segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em outubro. Caso a estimativa se confirme, o estado ultrapassará pela primeira vez a marca de 10 milhões de toneladas. O volume representa aumento de 2,9% em comparação com a safra anterior, com acréscimo de aproximadamente 286 mil toneladas. A projeção também coloca em evidência a participação da atividade agropecuária na economia estadual e as iniciativas voltadas ao desenvolvimento das cadeias produtivas, coordenadas pelo Governo do Tocantins por meio da Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro).

A área destinada ao cultivo de grãos deverá chegar a 2,63 milhões de hectares, um crescimento de 4,9% em relação ao ciclo 2025/2026, o que corresponde a 123,2 mil hectares adicionais. A estimativa considera as intenções iniciais de plantio, com previsão de ampliação das áreas agrícolas, conversão de pastagens em lavouras e investimentos em tecnologia e produtividade.

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, relaciona a projeção às perspectivas econômicas do setor. “Estamos diante da possibilidade de alcançar uma marca histórica para a produção de grãos do Tocantins, com reflexos na geração de emprego e renda. O Governo do Estado segue trabalhando para fortalecer as cadeias produtivas, incentivar a produção sustentável e ampliar a competitividade da nossa agropecuária”, destacou.

Soja e milho concentram a produção

A soja continuará sendo a principal cultura agrícola do Tocantins, com área estimada em 1,72 milhão de hectares, 4,3% acima da registrada na safra anterior. A produção prevista é de 5,95 milhões de toneladas, o equivalente a 59,3% do total de grãos projetado para o estado. Mesmo com a expansão da área cultivada, a estimativa aponta queda de 0,8% no volume produzido, devido à expectativa inicial de redução da produtividade.

Para o milho, a previsão é de crescimento tanto na área plantada quanto na produção. O cultivo deverá ocupar 572,6 mil hectares, aumento de 14,9%, enquanto o volume colhido pode alcançar 3,05 milhões de toneladas, avanço de 12,2%.

Entre as modalidades de cultivo, o milho de primeira safra tem previsão de expansão de 32,1% na área, que deverá atingir aproximadamente 101,7 mil hectares. Esse movimento está associado à maior previsibilidade dos preços, à demanda da indústria de etanol de milho e ao desenvolvimento das cadeias de proteína animal.

Juntas, as culturas de soja e milho devem responder por aproximadamente 90% de toda a produção de grãos prevista para o Tocantins na safra 2026/2027.

O diretor de Agricultura, Pecuária e Agronegócio da Seagro, José Américo Vasconcelos, aponta a demanda industrial como um dos fatores relacionados ao crescimento projetado para o milho. “O crescimento projetado demonstra como o fortalecimento das cadeias agroindustriais pode impulsionar a agricultura. O Tocantins possui condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado, especialmente com a demanda da indústria de biocombustíveis e do setor de proteína animal”, ressaltou.

Produção de arroz deve crescer 6,7%

A cultura do arroz também apresenta estimativa de aumento na produção e na área cultivada. O levantamento da Conab projeta uma colheita de 679,5 mil toneladas, crescimento de 6,7%, e uma área de aproximadamente 110,3 mil hectares, expansão de 2,7%.

No Tocantins, o arroz tem participação relevante na atividade agrícola, especialmente nas regiões de várzeas tropicais. Nessas áreas, os sistemas de cultivo irrigado contribuem para a regularidade da produção e para o abastecimento do mercado nacional.

Entre as demais culturas, o gergelim deve alcançar 22,8 mil toneladas, aumento de 6,6% em relação ao ciclo anterior. Para o feijão e o sorgo, por outro lado, as estimativas indicam redução. A produção de feijão está projetada em 115,9 mil toneladas, enquanto a de sorgo deve chegar a 165,7 mil toneladas. As variações estão relacionadas a ajustes nas áreas de cultivo e às expectativas de produtividade.

Chuvas e preços influenciam as perspectivas da safra

As condições climáticas estão entre os fatores que podem interferir nos resultados da safra 2026/2027. De acordo com os prognósticos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apresentados pela Conab, o período de outubro a dezembro de 2026 poderá registrar chuvas abaixo da média histórica em grande parte do Tocantins, sobretudo nas regiões norte e central.

Diante desse cenário, o engenheiro agrônomo da Seagro, Thadeu Teixeira Júnior, destaca a necessidade de planejamento por parte dos produtores para enfrentar possíveis adversidades durante o ciclo agrícola. “Estamos no início da safra e o comportamento climático será decisivo para os resultados. É fundamental que os produtores acompanhem as previsões meteorológicas, façam a escolha adequada das cultivares e adotem práticas de manejo conservacionista do solo para reduzir os riscos e preservar a produtividade”, tornando a tomada de decisão fator de grande importância para o setor produtivo, explicou.

Além das condições meteorológicas, a variação dos preços agrícolas e dos custos de produção também interfere nas decisões de plantio e comercialização. Em setembro de 2026, a saca de soja foi vendida, em média, por R$ 139,44, valor 9,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.

No caso do milho, o preço médio chegou a R$ 58,30 por saca, alta de 8% na comparação anual. Já o arroz foi comercializado, em média, a R$ 119,25 por saca, uma valorização de 57,4%, influenciada principalmente pela redução da oferta no ciclo anterior.

Por ser o primeiro levantamento da safra 2026/2027, os números apresentados pela Conab são preliminares e poderão ser revisados ao longo dos próximos meses. As estimativas dependem da evolução do plantio, das condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras e das oscilações dos mercados agrícolas.

Fonte – Jornal Opção

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