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Folha do Jalapão

PROFESSOR PAULINHO: O pioneiro de Aparecida que tem o serviço e a humildade como base de sua vida

Postado em 27/05/2021

O Jornal Folha do Jalapão publica a terceira história de pioneiros de Aparecida do Rio Negro nesta semana que antecede o aniversário de 32 anos do Município. Nestas matérias especiais, pretendemos valorizar a cultura local e resgatar as memórias dos pioneiros, para não deixar que a trajetória de lutas e vitórias, que marcam o desenvolvimento do Município, caiam no esquecimento. Hoje nosso personagem é o Professor Paulinho, pioneiro que se dedica ao serviço por amor à Cidade, e atua em diversas áreas, desde o início da criação do Município.

– ESPECIAL APARECIDA 32 ANOS –

Um homem multitarefas. Dedicação, amor ao próximo, serviço a Deus. Estes são apenas algumas frases que podemos utilizar para representar a vida de Paulo Percílio Pinto, o amado professor Paulinho. Falar dele é falar de espontaneidade, alegria e uma liderança nata.

Não há um acontecimento importante em Aparecida do Rio Negro, nestes 32 anos, em que ele não esteve. Sua presença é marcante, e sem ele, os eventos com certeza não são os mesmos. A história de Paulinho se confunde com a própria história do Município. São tantos adjetivos, tantas passagens históricas, que fica até difícil escolher qual expor nesta singela biografia.

Dono de dons na área da educação, esporte, oratória, política, família e religião. Apesar de sua vida ser um livro aberto, queremos mostrar, em algumas linhas, o professor Paulinho que abriu as portas de sua vida e de sua casa à nossa Equipe.

Chegar a sua casa é chegar a um local cheio de vida. Quando se chega, imediatamente se nota uma dedicação e amor ao lar e à família, e é o resultado da luta de uma vida inteira, que hoje colhe frutos dos mais variados aspectos.

História

Hoje com 65 anos de idade, Paulinho conta com uma vida dedicada a diversas áreas em Aparecida. A chegada no então povoado de Meira Matos foi no dia 10/02/1982, aos 27 anos de idade. Vindo de Porto Nacional, ele veio a convite do cunhado Paulo Gomes, que tinha o intuito de investir na abertura de um posto de gasolina, o primeiro do Povoado. Na época, casado há apenas um ano com Lucília Maria de Farias Pinto de Sousa.

Primeiro Posto de Gasolina no Município

O local em que fica hoje o posto ao lado da Praça José Eurico Costa foi o escolhido para ser adquirido para o trabalho. Ali foi instalado o primeiro posto de combustível, que teve como primeiro funcionário, o Paulinho. “Não era ainda emancipado, era um povoado muito pequeno e falo com orgulho, que era praticamente só a praça. Toda vida tive o dom de ser solidário com as pessoas, de servir, e isso é uma coisa que carrego de berço, e como na época a população era muito carente de um líder, incluindo todas as áreas, eu me encaixei bem, e falei: aqui é o meu lugar! ”.

Uma das dificuldades encontradas para a venda de combustível era a pouca quantidade de carros no local. “Nosso problema maior era a dificuldade em vender o produto. As pessoas que tinham carro aqui eram poucos, então demorava muito para vender um tanque de gasolina. Aos poucos conseguimos manter e me recordo que logo começaram a aparecer as grandes lavouras e os plantadores compravam os tanques fechados de combustíveis”, explicou.

A dificuldade de circulação do dinheiro fez com que o posto fosse vendido, já que a margem de lucro era pequena, devido à pouca quantidade de vendas. O período de trabalho durou três anos. A moradia era ao lado do posto de gasolina, e com o acerto recebido pelo trabalho de alguns anos, Paulinho adquiriu a atual área onde até hoje mora.

Paixão pela educação

“Na verdade, nunca na minha vida pensei em ser professor”, disse ele, sorrindo ao contar a história que o tornou professor, e hoje, graduado em Pedagogia e Educação Física. A esposa Lucília também se tornou referência na educação aparecidense, formada em pedagogia e matemática. Para quem não pensava em atuar como professor, foram muitos anos de muitas e lindas histórias que marcaram a vida de centenas de crianças: 35 anos de atuação até se aposentar.

Antes disso, a passagem pela Fazenda Reta das Cotias foi um momento marcante. “Vendemos o posto, fiquei desempregado, a minha esposa estava grávida da primeira filha. E quando a gente tira a mulher da família dela, a gente não quer deixar passar fome, e eu, mesmo com o ensino médio completo, fui trabalhar na Fazenda Reta das Cotias. Cuidava de gado, roça, trabalhava em trator, colheitadeira, e logo me tornei gerente”.

Todos os dias percorria 30 km de bicicleta, já que não havia outro meio de locomoção. O trabalho teve duração de três anos, até aparecer a grande oportunidade: concurso do Estado para professores. “Nós alugamos uma caminhonete em Tocantinía, Lucília estava grávida, saímos daqui com um monte de colegas e fomos para Pedro Afonso fazer o concurso do Estado. Arrumei uma cadeira de fibra e amarrei na caminhonete para Lucília, grávida de sete meses. Quando saiu o resultado, nós dois passamos, e depois fomos contratados, eu no dia 05/04/1985”.

A Escola Estadual Meira Matos foi construída pelas Irmãs católicas, no local onde chegou a abrigar o Projeto das Irmãs. A primeira experiência na sala de aula foi difícil, pois não havia embasamento o suficiente e a formação era apenas de segundo grau. “Como não bater um medo né? A responsabilidade era muito grande, apesar de que sempre tive facilidade em lidar com o público. A partir do momento que eu assumi resolvi trabalhar para fazer os frutos renderem”, conta.

O início não foi fácil, a começar pela locomoção. A bicicleta foi o transporte de muitos anos para as idas de casa para a Escola. O pequeno salário e a necessidade de manter a família faziam com que o trabalho fosse executado nos três turnos: manhã, tarde e noite, mas a fé sempre o guiou em busca de um futuro melhor. “Quem tem Deus no coração não se apura, e toda vida eu fui muito apegado a Deus, crescemos em um berço religioso. E isso nos proporcionou essa responsabilidade, porque eu acredito piamente nisso, que Deus nos fornece o dom e a Ele nós devemos a vida, e assim com certeza nós somos mais iluminados a produzir”, comenta Paulinho, ao falar da sua introdução no mundo da educação física.

Se aposentar como professor, após 35 anos de trabalho no mesmo local, é uma de suas grandes felicidades. “Devido à pouca formação às vezes nós cometemos alguns erros, mas tenho certeza absoluta que os acertos foram muito mais que os erros. Quando a gente trabalha a melhor coisa a se fazer é assumir com responsabilidade, além de ter o carisma, a boa vontade e os cursos e formações”, comenta. Ao longo do tempo foram efetivadas, pelo Estado, ações que buscaram ofertar os cursos superiores, oportunidades que foram abraçadas por ele.

Já esportista, a necessidade e a confiança do corpo docente o levaram a dar aulas de educação física. “Mesmo com receio ou com medo de alguma coisa, mas a gente sabia que a comunidade e os próprios professores confiavam na gente. Então o que você tinha que fazer? Tinha que lançar mão daquilo que é o melhor que você tinha, nos recursos mais práticos que tinha e trabalhar”.

À frente da educação física, Aparecida do Rio Negro teve bons resultados. Paulinho comemora as vitórias conquistadas pelo Município em diversas competições, no futebol, futsal, atletismo. O sucesso dos alunos trouxe à Escola Estadual muitos troféus e medalhas nos circuitos municipal, estadual e até nacional. Os Jogos Estudantis do Estado do Tocantins renderam muitas histórias e aventuras para alunos e professores.

“Com certeza eram muitas aventuras nas viagens. Naquela época a gente não tinha meio de transporte adequado, era em cima de caminhonete, carroceria de madeira, ou de caminhão, era uma coisa bem complexa. Não dá para esquecer, por exemplo, quando perdemos uma partida, que poderíamos ser campeões, todo mundo ficava cabisbaixo, triste, chorando, e saber que a perda foi por causa de um mínimo detalhe”, disse ele.

Foram muitos aperreios em viagens com alunos, inclusive a passeio. As piores eram quando a caminhonete quebrava, mas mesmo assim os alunos gostavam, e tinham espírito aventureiro.

Apesar das dificuldades, Paulinho se apaixonou pela educação e seus desafios. Mesmo com o baixo salário a que ele se refere de todos os educadores, ele ressalta que o melhor pagamento é ver os alunos formados. “Hoje mais de 50% dos professores da Escola foram meus alunos. E são coisas realmente marcantes. Que tal você lecionar, ser professor de uma aluna, depois ela virar sua tutora na faculdade, ser professor de uma aluna de Geografia e Educação Física, depois ela virar a sua diretora dentro da própria escola. Isso é ter orgulho, e tenho vários exemplos assim”.

Apesar da aposentadoria, Paulinho continua seu trabalho também na área da educação, e finaliza sua história na educação ressaltando que mesmo sem a sala de aula, sua vida de educador ainda continua. “Eu sou muito feliz por ter me aposentado, por ter tido condição de prestar esse serviço por 35 anos na sala de aula, e eu não fiquei triste em aposentar porque eu continuo sendo educador, já que nas outras áreas de trabalho que eu presto serviço como voluntário, às vezes a gente ainda faz essa atividade. Então a minha função de educador, não morreu, ela continua”.

Vida política

Ingressar na política foi mais uma das surpresas de Paulo Percílio Pinto. Atuante na vida pública, ele foi vereador por três mandatos, sendo que em todos esteve ao lado do povo e em busca de qualidade de vida dos aparecidenses. Legislador por 12 anos, teve sua luta pautada no trabalho social.

O primeiro contato na política foi em 1989, na primeira legislatura de Aparecida, se tornando vereador constituinte, que ajudou a criar a Lei Orgânica do Município. Paulinho lembra que o Município foi emancipado por meio de projeto de Lei 10.411 de 30 de dezembro de 1987, do então deputado Totó Cavalcante. Dois anos depois veio a primeira eleição da Cidade, onde Paulinho, incentivado pelo povo devido ao trabalho como professor e já atuante na Igreja e com trabalho social, venceu com 51 votos. Para o segundo mandato, já em 1993, foram 96 votos, e no terceiro mandato, em 2001, foram conquistados 136 votos. A quarta disputa, em 2005, não teve êxito. A presidência da Câmara, em 2003, também foi do professor.

“Eu sou muito grato ao povo, porque o povo me reconheceu como uma pessoa de responsabilidade, que poderia representar bem o Legislativo no Município, e nós entramos, fomos encorajados pelo candidato a prefeito José Eurico Costa, que era dinâmico demais”.

Paulinho destaca que seu trabalho sempre foi social. “A nossa vontade era representar bem o povo, fazer ações para que o povo se sentisse orgulhoso pelo vereador que eles elegeram. Eu tenho coragem de dizer que eu não sou diferente dos outros, eu tive sim problemas nos meus mandatos, eu não sou perfeito. Quem não peca, você pode convidar para atirar a primeira pedra. Todos nós somos fracos, eu tenho certeza absoluta, que o meu trabalho prestado encobre qualquer problema, porque eu não acredito que em Aparecida do Rio Negro, tenha um filho que tenhas tanta ação social voluntária com a sociedade quanto eu. Além da função como vereador, a gente fazia um trabalho social diferenciado”.

O então vereador de Aparecida já esteve na Câmara Municipal como oposição e também como situação. Ao falar em sua atuação na área política, Paulinho também pede perdão à sociedade. “E eu até aproveito a oportunidade para pedir perdão àqueles que se sentiram magoados, prejudicados talvez com as minhas ações, com as minhas palavras. Um dos meus maiores orgulhos na política é ter consciência de que eu fiz um serviço bem prestado, que eu estendi a mão para minha população, além da área social, cumpri 100% com os meus deveres, apresentando projetos de leis importantes, requerimentos, indicações”, completou.

Mesmo sem ter mandato atualmente, Paulinho se tornou referência para a política aparecidense, sendo sempre procurado pelos candidatos. “Eu faço questão de continuar ajudando, porque os políticos quando resolvem ingressar sabem que eu tenho um trabalho bom dentro da área, e acabo entrando junto porque eu acredito que aquela é a melhor opção para o Município, e acabo embarcando no trabalho”.

Religiosidade

A religiosidade não está somente no sangue de Paulinho. Está também no coração, e na doação diária ao serviço na Igreja. O homem que se dedica à política, ao ensino, e à família, faz tudo isso por um verdadeiro sentido: humildade e serviço ao próximo, como ele mesmo cita que tem como base. Além de todos os anos presentes na vida da Igreja, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida está prestes a ter o primeiro diácono permanente, primeiro religioso ordenado genuinamente na Cidade.

A função tem hierarquia inferior à de padre, mas tem autoridade e poder de celebrar alguns dos rituais da Igreja, além do serviço pastoral. “Servir a Deus é a melhor coisa que o ser humano pode fazer. Como eu já tinha facilidade de lidar em várias áreas, de trabalhar com o público, eu já tinha um berço religioso porque a minha mãe incentivava nós irmos para a missa aos domingos, e eu tive a oportunidade também de ser coroinha da igreja da minha cidade”, explica.

Apesar de católico, Paulinho estudou todo o segundo grau em uma escola Batista, o que o deu a oportunidade de ser ainda mais religioso. “Depois de um certo tempo aqui na cidade, pela minha facilidade também, eu era convidado a ir para igreja fazer leituras na frente, pela minha seriedade, como ser humano e religioso”. Atualmente ele é Ministro da Eucaristia, e finaliza a faculdade de Teologia para ser ordenado diácono ainda neste ano.

Para chegar até aqui, uma longa trajetória foi percorrida. No início o povoado só tinha padre de vez em quando, e as responsáveis eram as irmãs. “Incentivados pelas irmãs que eram dirigentes das escolas, e também pelo que minha mãe me ensinou, também passamos a servir a igreja. Sempre fiz de tudo que podia ser da minha competência. A gente fazia de tudo e ainda hoje fazemos, como montar as celebrações, leituras, organizar as procissões, acompanhar as rezas nas fazendas. “

Apesar de aposentado, o tempo é pouco para Paulinho, que também se dedica ao trabalho da igreja. “O que me levou a ser diácono permanente é a vontade de servir a Deus, você servindo ao irmão, à comunidade, à sociedade, você está servindo a Deus. E essa prática surgiu no meu coração, essa de dividir as dores com os irmãos, por exemplo, na hora de uma celebração, principalmente no momento de tristeza, quando eles perdem um ente querido. Isso me dava muita vontade de dividir a dor com a família”, ressalta Paulinho, que também realiza as celebrações nos velórios, na ausência do padre.

O gritador de leilões e quadrilhas

Quem participa dos tradicionais festejos do Município sabe: a presença de Paulinho é fundamental para a organização dos leilões. Sua voz inconfundível fez com que ele se tornasse o gritador dos leilões das prendas e do gado.

“Essa habilidade eu sempre tive, e o povo confiava muito na gente, mesmo às vezes sendo um tipo de atividade que eu nunca tinha feito. Mas quando as pessoas me davam uma missão, eu acabava abraçando. Só para vocês terem uma idéia, quando eu cheguei para cá o gritador de quadrilhas era seu Deusdete (in memorian). Ele viu em mim uma pessoa capaz de o substituir quando ele se afastou. Com a questão do leilão também não foi diferente, o gritador da época, quando cheguei, era seu Albertino, que também se afastou e eu o substituí, e isso é uma honra para mim”.

O animador de quadrilhas esteve presente em muitas festanças, e até hoje contribui. As quadrilhas do Grupo da Horta e das escolas eram todas animadas por ele, além dos leilões, cavalgadas, que até hoje são animados por ele.

Mas a locução também se tornou algo profissional. Tanto que no ensino médio ele já praticava a atividade. Após muitas lutas, o primeiro carro da família foi comprado, e imediatamente adaptado para o carro de som. Por muitos anos o carro de som fez anúncios. “Eu dirigia e fazia a locução ao mesmo tempo, e isso fez muito sucesso. Para montar esse serviço de alto falante conseguimos comprar os equipamentos, montar o carro de som, a gente usava ele para trabalho, serviço de locução e propaganda comercial”, conta Paulinho, que com o tempo passou também a divulgar as notas de falecimento, serviço pelo qual nunca cobrou. As belas mensagens de aniversários, casamentos, homenagens, fizeram bastante sucesso entre os aparecidenses. “Fazíamos as cestas de presentes conforme o cliente pedia”, disse.

Uma passagem mais que especial fez com que o carro de som fosse usado por uma ilustre visita ao Município: o ex-presidente Lula. “Ele veio inaugurar a estrada, e o único carro de som da Cidade era o meu. A princípio ele não ia falar nada, mas o prefeito Suzano na época, pediu que o meu carrinho ficasse ali à disposição, caso ele quisesse falar. E não foi que ele falou? Isso ficou para a história e nos rendeu uma foto, de todos os vereadores, com o presidente”, relembra.

Desafios

Ao longo de sua vida, Paulinho se deparou com diversos momentos tristes e desafios superados. O mais recente foi vencer a Covid-19, que inclusive deixou sequelas. Após quase um ano de pandemia, a doença chegou até sua casa. “É muito triste, porque você acha que nunca vai pegar, mas apesar de todos os cuidados peguei. Quando vi que o tratamento aqui não estava surtindo efeito fui para Palmas, e constatei que 50% dos pulmões estavam comprometidos. Fiquei 35 dias sem sair de casa”.

Ao falar de seus desafios de vida, ele se deparou com outra situação difícil: a queda de um boi, a caminho de uma das cavalgadas realizadas no Município. Uma fratura na perna o imobilizou, e uma cirurgia teve que ser realizada por causa de uma queda de boi na abertura dos festejos, durante a cavalgada. “O boi disparou comigo na ladeira grande, caiu e fraturei o fêmur. Logo depois veio a descoberta de um desgaste no quadril, com outra cirurgia na perna direita, e isso me impossibilitou de realizar um sonho antigo, que era montar uma academia. Hoje o único esporte que posso fazer é pedalar”.

Família

O professor Paulinho, esposo de dona Lucília e pai de Lucineide, Diego e Cristóvão (Titó), se refere à família mais uma vez falando de sua humildade. “Tenho procurado nesses dois quesitos, de serviço e humildade, ser a melhor pessoa possível para a minha família e para a comunidade. Sou frágil, porque sou ser humano, sou pecador, mas os meus acertos são muito maiores do que os meus erros e a vontade que eu tive a vida inteira, foi de fazer com que os meus filhos crescessem educados e religiosos. E graças a Deus, Deus me deu essa oportunidade. Apesar da condição financeira não desejada, com muita humildade nós conseguimos criar nossa família, consegui ser um bom pai de família, um bom esposo”, comentou.

Pelas muitas atividades em Aparecida, Paulinho ressalta que muitas vezes teve que dividir a família com o trabalho. Hoje com os filhos criados, Paulinho se orgulha em ter dois deles morando nos Estados Unidos, sendo que recentemente esteve em visita às Américas. O esposo de Lucília há 40 anos, o irmão gêmeo do Pedro e de mais 10 irmãos, se orgulha ao falar da família, que por destino se encontra em locais diferentes. O irmão Pedro, continua em Aparecida. “Em tudo somos idênticos, na personalidade, e até na mesma cidade que escolhemos para morar. A gente sente as mesmas coisas, e o que ele sente, e sinto, isso é incrível”.

A saudade dos filhos e dos dois netos falam alto, mas o sentimento é de alegria. “Eu adoro meus filhos, procuro transmitir para eles todo o amor possível, e principalmente, essa questão de responsabilidade. E eu procurei de todas as formas, dar a eles a educação, a formação necessária. Me dou muito bem com a minha esposa e creio que o nosso relacionamento é visto com qualidade pela população de Aparecida. Ela é muito carinhosa comigo, eu gosto demais dela, e o nosso amor é recíproco. Eu sou muito agradecido a Deus por ele ter me dado ela como esposa, que não mediu sacrifício para vir embora para cá comigo”.

Hobby

Quem chega à casa de Paulinho e Lucília se encanta: plantas e árvores são vistas em todos os lugares. De samambaias a rosas do deserto. Uma paz toma conta do local, tudo muito bem organizado. “Eu não conheço alguém que vem aqui, que não sai encantado com os cuidados que nós temos com as plantas. É uma ideia da minha esposa, nós fazemos as atividades juntos e também ela, é uma diversão, uma higiene mental, a gente se prende mais em casa. Com esse período de pandemia enquanto você está aqui cuidando das plantas, está evitando aglomerações”.

Orgulho de Aparecida

Ao receber a equipe do Jornal, Paulinho se emociona ao ser identificado como um dos pioneiros da Cidade. “Aproveito a oportunidade de falar ao jornal Folha do Jalapão que eu também nesse momento me sinto orgulhoso em fazer parte deste pequeno torrão de Aparecida do Rio Negro, que eu acompanhei de perto o crescimento da cidade, e vi os momentos difíceis do antigo Meira Matos”.

Um dos fatos marcantes para Paulinho foi a perda do então prefeito, José Eurico. Paulinho se afastou do cargo de vereador e assumiu a Secretaria de Administração do prefeito José Eurico. “Por ironia do destino, eu tive a oportunidade de ajudar a encontrar o corpo, e vivemos momentos terríveis, quando nós velamos o seu corpo, toda a sociedade chorava junto, porque realmente mexeu com o sentimento de todos. E principalmente com o meu, e foi uma passagem terrível, foram momentos estarrecedores que talvez nunca vão apagar da nossa memória”.

Ao falar dos 32 anos do Município, ele parabeniza a Cidade, e cita seu vasto desenvolvimento. “Aparecida é uma cidade que eu aprendi a amar. Hoje eu falo que sou filho de Porto Nacional, mas também que sou filho adotivo de Aparecida do Rio Negro. E Aparecida para mim, é um lugar onde você contra solidariedade, amor, reciprocidade, é uma cidade que você consegue viver bem, porque ainda tem muito verde, a população é muito acolhedora eu me orgulho de morar nela por ver que ela aos poucos tem crescido”.

Ele comentou que as mudanças do antigo Meira Matos ou dos primeiros anos de Aparecida para hoje são muito grandes, são muito bruscas, enfatizando que Aparecida tem crescido muito politicamente, socialmente, culturalmente. “Por exemplo, a pavimentação asfáltica, as grandes obras, a educação, a formação dos filhos, os logradouros públicos muito bem organizados, como praças, ruas e avenidas. A gente vê um processo de mudança muito grande, e que é gratificante para mim como aparecidense e certamente para toda a população”.

O encerramento da entrevista foi regado a muita emoção para nós da equipe. O agradecimento final de Paulinho foi a Deus. “Deus tem me dado a oportunidade de criar minha família aqui, e é muito interessante para mim ver aquelas pessoas que eu tive a oportunidade de conviver e ajudar progredirem na vida. Quantos doutores, advogados, engenheiros, religiosos, passaram por nossas mãos. Agradeço a Deus ter me dado a oportunidade de ter ingressado no conhecimento Espiritual. Tudo isso que eu falei aqui, não teria sentido nenhum se eu não amasse a Deus. Se eu não tivesse procurado os caminhos de Deus, ajudando o próximo. Hoje eu não vivo mais em mim, quem vive em mim, é Deus. Muito obrigado a Deus”, conclui.

E assim concluímos nossa entrevista com o pioneiro Paulinho. Seu agradecimento a Deus nos fez refletir o quanto a bondade, o amor, a humildade e o serviço ao próximo fazem bem a quem serve, a quem faz boas obras. Obrigada professor Paulinho, por tantas histórias, por todos os ensinamentos, e pela coragem e determinação em continuar se doando por Aparecida do Rio Negro!

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