Tocantins - 22/10/2020 - 21:18

Sem Covid-19 até 1º de julho, Aparecida viu a doença chegar 90 dias após início da pandemia

Postado em 13/07/2020

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Especial – por Nayla Oliveira –

Aparecida do Rio Negro foi alguns dos municípios tocantinenses que resistiu por um bom tempo à chegada do coronavírus. Os moradores da cidade viveram três meses sem casos de contaminados. Foi como passar os dias olhando o relógio, à espera de um visitante indesejado, sem hora para chegar.

Aparecida do Rio Negro é um município de pouco mais de 4 mil habitantes, que viveu os últimos 90 dias em distanciamento social para se proteger da Covid-19, mas registrou no dia 1º de julho seu primeiro caso: um homem morador da zona rural que esteve em visita a outro Estado, acabou se infectando. Segundo a Prefeitura da cidade, no dia 5 de julho o 2º caso foi confirmado. No dia 6 de julho o município contabilizou dois casos a mais. Entre os dias 6 e 7 foram registrados três casos de pessoas de outros municípios, que fazem o isolamento em Aparecida. O pequeno município passou a residir sete pessoas infectadas.

Atualmente, de acordo com o Boletim Epidemiológico Municipal, um dos pacientes do Município já está curado, e dois pacientes de outros municípios ainda estão em isolamento na Cidade.

O medo pela chegada do inimigo invisível mexeu com a rotina dos moradores de Aparecida, que ainda se orgulhava em dizer que o município estava protegido do vírus. Nesse período muitos eventos tradicionais foram cancelados pela Prefeitura para tardar a chegada do inimigo.

A prefeitura Municipal por meio da Secretaria da Saúde se manteve alerta desde os primeiros dias em que o Governo do Tocantins anunciou a contaminação no Estado. As ações da equipe da Saúde foram reformuladas, novos planejamentos foram realizados para que a comunidade pudesse ser protegida.

Neste período a equipe de fiscalização nas ruas realizou um trabalho firme. Muitas pessoas que não estavam usando máscara foram cobradas. Em estabelecimentos os proprietários foram alertados. Não houve falta de diálogo, mas, muitas pessoas não acreditaram no risco, até ver o anúncio da Secretaria da Saúde, noticiando a chegada de casos de contaminação.

Ações realizadas

Desde o surgimento do novo coronavírus, a Prefeitura de Aparecida tomou uma série de ações para diminuir o impacto da doença na população. O trabalho começou antes mesmo do primeiro caso registrado. A partir daí o trabalho foi crescente, incluindo ações que foram desde o fechamento do comércio não essencial ao uso obrigatório de máscara.

A Prefeitura publicou no dia 20 de março o decreto (que foi alterado pelo decreto 08/2020), que declara situação de emergência em saúde pública no Município, suspendendo as aulas municipais, eventos que contenham aglomerações, funcionamento da feira municipal, além do fechamento de bares e distribuidoras. Já no dia 1º de abril o decreto nº 10/2020 antecipou as férias escolares na rede municipal de ensino. A obrigatoriedade do uso de máscara veio no dia 18 de maio, com o decreto 20/2020. A Prefeitura também mandou confeccionar mascaras de proteção personalizadas que foram entregues a todos os servidores e parte da população, como idosos e todas as mães.

A secretária Sebastiana Luzia conta como a Secretaria Municipal de Saúde lutou contra a chegada do vírus no Município. Em entrevista à Folha do Jalapão, a secretária ressaltou que, apesar da demora em chegar, o vírus já circula pela Cidade. Para ela, um dos motivos para essa demora foi a prevenção. “Eu creio que foi a prevenção e cuidado por parte da Saúde, da Vigilância Sanitária, e certo entendimento de toda a comunidade. O medo do vírus também ajudou para que a comunidade se comportasse um pouco e nos ajudou bastante prevenindo para que o vírus não chegasse aqui”, explicou.

 Ao longo do trabalho realizado durante a pandemia, a comunicação foi fundamental para chegar a todos os munícipes, como ressalta a gestora da Saúde. “Um bom trabalho também de divulgação por parte do comitê de estudo criado dentro da unidade de saúde, onde foi se multiplicando todo o conhecimento entre as equipes e toda a comunidade também, e da equipe através dos meios de comunicação. Usamos todos os meios de comunicação, carro de som, rádio, Câmara Municipal e sites de notícias pra gente estar fazendo esse trabalho e educando o povo para um novo modo de vida, pra evitar a chegada do coronavírus em nossa cidade, em nossas famílias”.

Aumento de casos

Sebastiana falou ainda sobre o rápido aumento de casos na Cidade, que dobrou em menos de uma semana. “Como era esperado, por estarmos próximos de Palmas e devido afrouxamento e do isolamento social em Palmas, e muitas pessoas tem parentes aqui também, vem de fora para ficar na casa dos parentes, porque achavam que aqui estava mais tranqüilo em relação à contaminação do vírus, e a cidade praticamente se encheu de muita gente, vindos de outros estados. Sempre achei que chegando o primeiro caso em Aparecida, logo, logo outros casos iam aparecer, e de fato foi o que aconteceu. Em todos os casos estamos acompanhando os focos, onde estão essas pessoas e de onde vieram”, explica.

Para conter o aumento dos casos e a transmissão comunitária, a secretária ressalta as medidas que vem sendo tomadas pela Secretaria de Saúde. “Há mais de três meses a Secretaria Municipal de Saúde tem um realizado um intenso trabalho de prevenção e cuidado contra o vírus, mas o vírus infelizmente chegou em nossa cidade, e daí houve a necessidade de um enfrentamento para não deixar proliferar, e essa é a nossa preocupação no momento: não deixar que esse vírus prolifere, apesar de que sabemos que os focos são diferenciados. Cada caso, praticamente é um foco diferente, veio de um município diferente, de lugares diferentes. Mas a nossa preocupação é para não deixar que se torne uma transmissão comunitária, porque isso é mais perigoso pra toda comunidade. Então pra isso a gente tem intensificado bastante o serviço de informação às famílias dos casos suspeitos e confirmados”, comenta.

De acordo com a secretária, estão sendo intensificados o trabalho de vigilância em saúde sanitária, recrutando os servidores da educação inclusive para aumentar a equipe da Vigilância Sanitária. Também está sendo realizado o trabalho para retirar aglomerações de bares praças, e distribuidoras, com o apoio da Polícia Militar. “Estamos fazendo um trabalho da Vigilância Sanitária junto com a Polícia Militar, em que toda noite um responsável da Vigilância sanitária, junto com a Polícia Militar, estão desaglomerando as pessoas que estão em frente aos bares, em frente a distribuidoras, que estão insistindo pra ficar aglomerados na praça, e esse trabalho tem sido brilhante também”, disse ela.

A Secretaria também está realizando blitz educativas no trevo, para o controle de uso obrigatório de máscaras, distanciamento, entregando panfletos educativos explicando o risco do coronavírus e desinfecção dos veículos, além da análise do controle de temperatura dos caminhoneiros e pessoas que adentram a cidade.

Colaboração da população

Conforme explicou a secretária Sebastiana, a população aparecidense passou por algumas fases de comportamento diante da pandemia. “No início, parece que não acreditavam na existência do vírus. Depois a gente tem percebido que houve uma preocupação para evitar a chegada do vírus junto conosco, eles se uniram bastante, tanto que quando houve o uso obrigatório de máscara, 80% da comunidade já tinham aderido ao uso da máscara. Então, a gente observou essa preocupação. Depois observamos um pouco de descaso, parece que não se acreditava que o vírus ia chegar a Aparecida do Rio Negro, e, no entanto começaram a descumprir os protocolos, não estavam mantendo distanciamento, não estavam mais usando máscara como no início. Então a gente começou ter problema com a comunidade, com os comércios, com as igrejas, a gente percebia que eles não estavam acreditando que o vírus ia chegar aqui”, disse ela.

O susto

No entanto, com a chegada do vírus percebeu-se a mudança de comportamento das pessoas.  “Entraram em choque, algumas pessoas, e logo depois disso eles se recolheram. A comunidade começou a se recolher mais um pouco, fazer um isolamento domiciliar, até eu percebo que parece que tem gente que se acha blindado, que é apenas uma questão de exigência da saúde, mas não é. Mas mesmo assim a gente está fazendo trabalho, cobrando e  percebendo essa resistência, mas tem muita gente que está preocupada com a prevenção e cuidado, e tem que se preocupar mesmo”.

Medidas

Com a chegada do vírus ao Município, a Gestão Municipal tem tomado novas medidas. Uma delas foi a criação de um fluxograma da Secretaria de Saúde, com o acompanhamento de todos os casos. “Nós sentimos a necessidade de criar uma segunda equipe, que é chamada entre nós de equipe dourada, que essa equipe da linha de frente, que estão atentos com os cuidados, diante das ligações, diante dos casos que a gente tem já constatado e dos casos suspeitos. Então essa equipe começou a melhorar também o fluxograma de atendimentos. Criamos uma sala para os atendimentos e estão sendo feitos. Estamos criando uma segunda sala pra fazer os testes em outro local”, enfocou a secretária.

Além disso, o trabalho da Vigilância Sanitária ganhou reforços e a contratação de mais um profissional médico. “Temos aumentado significativamente o trabalho da vigilância, não só da vigilância sanitária, mas a vigilância em saúde, procurando saber, receber informações. E também tivemos a necessidade de fazer uma nova contratação médica, porque nós temos médico de segunda à sexta, nós decidimos contratar mais uma médica, para ampliar os atendimentos sobre a Covid, inclusive aos sábados. Só não temos médico no domingo, mas temos uma contratada inclusive aos sábado pra dar acompanhamento e atendimento aos casos suspeitos de Covid”.

Orientações

Para que o vírus seja eliminado da Cidade e não volte a circular, é necessária a colaboração da população. Por isso, a Secretaria orienta aos moradores, emitindo alerta para todos se prevenirem da maneira correta. “Primeiramente, a nossa orientação é que contribuam com os protocolos ditos pela Secretaria Municipal de Saúde. Não estamos fantasiando nada, estamos vivendo uma realidade nunca vivida no Município antes. Então o que mais pedimos é que toda população contribua com isso, principalmente sobre a questão do isolamento social. Quanto mais as pessoas recolherem em suas casas, menos risco elas tem. Só saia apenas por necessidade, porque a gente sabe que das pessoas que trabalham, nunca impedimos o trabalho, mas aquelas pessoas que tem condição de manter-se em casa, que fiquem em casa. Se você se mantiver em casa, você está evitando que você contraia o vírus na rua, na unidade de saúde, nos supermercados, nos postos de gasolina, nas praças, enfim. Então, a gente pede isso e pede também que evite todo e qualquer tipo de aglomeração” solicita a secretária.

Outra recomendação da Saúde Municipal é quanto á procura da Unidade de Saúde durante a pandemia. “Procure a unidade básica de saúde, somente quando estiver em caso de emergência ou urgência. Não vá à unidade de saúde por uma consulta de rotina, ou para simplesmente mostrar resultado de exame nesse momento. Vamos evitar isso, porque é um ambiente muito vulnerável. Temos todos os cuidados de higiene, um outro espaço pra atender essas pessoas. Mas nem sempre as pessoas obedecem isso e acabam entrando. Então, as pessoas têm que evitar. Outra coisa que a Secretária sempre pede: alimente-se bem. Na medida em que vocês está  se alimentando bem, você está adquirindo anticorpos resistentes para enfrentamento contra o vírus. Em caso de síndrome de gripal entrar em contato com a saúde, você deve ligar, porque nós temos as equipes, nós temos a recepção que vai dar informação. Nós temos dois telefones, que é o da recepção onde um onde tem uma pessoa repassando as informações que é o (63) 3538-1193 e temos também o da Secretaria com alguém da equipe dourada para repassar as informações corretas, como e onde procurar, em caso de síndrome gripal, que é o (63) 3538-1309. E para finalizar, a gente pede que as pessoas continuem com os cuidados dos protocolos, cuidados higiênicos” salienta.

Testes

De acordo com a secretária, os testes no Município são realizados de acordo com a orientação médica. Após ser avaliado pelo médico e não apresentar sintomas graves, a equipe monitora o paciente até o sétimo dia, quando é realizado o teste se for necessário. “Sabemos que infelizmente não é qualquer pessoa que sentiu uma síndrome gripal que vai passar pelo teste. O Estado já está em falha com fornecimento de teste para os municípios. Temos maior segurança nos testes do Estado, do que aqueles comprados de empresas. Então, pra gente comprar um teste, nos preocupamos com a questão da segurança, com a validade, e tem toda uma parte de protocolo de justiça que a gente tem que seguir”, explicou.

O Município já utilizou vinte testes rápidos. Já os testes Swab – um exame mais aprofundado, mais preciso – que é encaminhado para o Laboratório Central, que faz a investigação e repassa os resultado, foram realizados quatro. “O teste rápido é feito por profissionais da saúde, pessoas que fizeram o curso, então nós temos duas pessoas que fizeram o curso, que são responsáveis pra realização do teste rápido e que sai o resultado imediato e, inclusive, nós vamos começar a preparar outras pessoas”, conclui.

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