MUMBUCA: Uma história de gerações contada no palco da Festa da Colheita

por Jornal Folha do Jalapao — 15/09/2026 às 07:08 — em Cidades, Destaques

Encenação resgata a trajetória do Quilombo Mumbuca e mostra como o conhecimento sobre o capim dourado atravessou gerações, preservando cultura, memória e identidade

A história do Quilombo Mumbuca ganhou voz, movimento e emoção no palco da XVIII Festa da Colheita do Capim Dourado. Na noite do dia 12, a programação cultural foi aberta com a apresentação do tradicional teatro que encena a trajetória da comunidade e mantém viva, por meio da arte, uma memória construída entre gerações.

Ao som marcante da violinha de vereda, a encenação levou o público por uma história que começa muito antes do capim dourado se transformar em artesanato e símbolo do Jalapão. Em cena, passado e presente se encontraram para contar a trajetória de mulheres e homens que fizeram do conhecimento, da resistência e da criatividade uma forma de preservar sua cultura e transformar seu modo de vida.

Com sensibilidade e firmeza, o elenco formado por Ana Mumbuca, Sirlene Matos, Arnon Tavares, Rosineide Matos, Ismael Ribeiro, José Neres, Ana Beatriz Matos, Rebeca Ribeiro, Antonina Tavares, Taiane Gomes, Silas Matos, Leia Ribeiro Gomes, Marijane Ribeiro, Mirian Alves e Nubia Matos subiu ao palco para apresentar parte dessa história.

A peça trouxe a matriarca Laurinha Pereira Bento, personagem fundamental nessa narrativa, mostrando seu primeiro encontro com o capim dourado. A partir daquele contato, o conhecimento foi sendo transmitido dentro da família e chegou à sua filha, Guilhermina Ribeiro Silva, a dona Miúda.

Ainda jovem, Miúda começou a produzir peças utilizando a seda de buriti, costurando o capim dourado com os fios retirados da palma dos buritis. O que começou como conhecimento aprendido dentro de casa ganhou novas formas com o passar dos anos e foi sendo transmitido de geração em geração, tornando-se parte da identidade cultural e também das transformações no modo de vida da comunidade.

No palco, a história de Mumbuca foi contada por quem conhece de perto suas raízes. Os personagens, os gestos e o som da violinha de vereda conduziram o público por uma memória que continua presente na vida da comunidade e que, naquela noite, ganhou voz diante de moradores e visitantes.

A narrativa foi conduzida pelas narradoras Patrícia Alves e Nubia Matos. Nos bastidores, a cortina ficou sob responsabilidade de Cássia Emanuella Alves, Elisângela Alves, Leilane Barbosa e Keila Barbosa. A produção foi realizada por Marineide Tavares, Givoene Matos e Eloides Tavares.

E quando a apresentação chegou ao fim, a emoção tomou conta do palco e da plateia. Juntos, elenco e público cantaram “Meu capim, meu capim dourado, que nasceu no campo sem ser semeado”, encerrando o espetáculo em um momento de identidade, pertencimento e celebração. A canção reuniu todos em torno de uma história que Mumbuca conhece e preserva: a de um povo que encontrou nas veredas não apenas uma riqueza natural, mas parte de sua identidade, de sua cultura e de sua trajetória.

Representatividade

A programação da noite também contou com as boas-vindas da presidente da Associação do Mumbuca, Eloides Tavares, que recebeu moradores, artesãos, visitantes e parceiros para mais uma edição da Festa da Colheita.

Em sua fala, Elor destacou a importância da celebração para a comunidade e o significado de chegar à 18ª edição mantendo viva uma tradição construída pelo trabalho e pelo conhecimento transmitido entre gerações.

É com imensa alegria, orgulho e profunda gratidão a Deus que declaro aberta a Noite Cultural da 18ª Festa da Colheita do Capim Dourado. Como presidente desta associação, sinto-me honrada em representar minha comunidade, nosso povo e este lugar tão especial. Cada morador e artesão aqui presente é peça fundamental na construção desta trajetória marcada pela cultura, pela tradição e pela resistência”, afirmou.

Ao lembrar as 18 edições da Festa da Colheita, Elor ressaltou o trabalho das famílias de Mumbuca e agradeceu às comunidades vizinhas, visitantes, turistas, agências e parceiros que contribuem para a realização e preservação da festividade. “Há 18 anos, celebramos a Colheita do Capim Dourado, valorizando o trabalho árduo de nossas famílias. Esta festa é um momento de união e reconhecimento, pelo qual agradeço imensamente a todos”, destacou.

A presidente também registrou agradecimentos à Prefeitura de Mateiros, Câmara Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, escolas estaduais Mumbuca, Mateiros e São Félix, além da Cooperativa Central Cerrado, representada por Luís Carrassa e sua equipe.

Também foram reconhecidos os apoiadores da festa, entre eles o Governo do Estado do Tocantins e os deputados Vanda Monteiro e Valdemar Júnior; as Secretarias de Indústria, Comércio e Serviços e de Igualdade Racial; o Sebrae e a Defensoria Pública; as fazendas Rio Galhão, Paraíso e Recanto; o ex-prefeito pastor João Martins; o prefeito de São Félix, Gercimar Xavier; o presidente da Câmara de São Félix, Ismael Cirqueira; o Parque Estadual do Jalapão e os brigadistas.

Um agradecimento especial foi dirigido à pesquisadora do capim-dourado, Isabel Schmidt, pela presença na celebração. Ao encerrar sua fala, Elor desejou que a edição fosse marcada pela paz, união, gratidão e conquistas para a comunidade.

Compartilhe no:
MAIS NOTÍCIAS

Você pode gostar

APARECIDA: “Bola no Chão, Criança Fora da Rua” leva esporte e convivência aos setores

  Iniciativa “Bola no Chão, Criança Fora da Rua” começa pelo Setor...

Santa Tereza abre Campeonato Municipal de Futsal com dez equipes e R$ 5 mil em premiação

Seis equipes masculinas e quatro femininas disputam o campeonato; quatro jogos decisivos...