Tocantins - 22/05/2024 - 09:29

Folha do Jalapão

Expedição vai percorrer rios do Jalapão para analisar habitat de pato que depende de água cristalina para sobreviver

Postado em 21/04/2024

Considerado o embaixador das águas, pato-mergulhão está ameaçado de extinção. Pesquisadores vão coletar amostras em locais que o animal vive, já que ele depende de um habitat livre de contaminações.

O pato-mergulhão é uma espécie de ave aquática rara e que está ameaça da extinção. A sobrevivência dos indivíduos depende da qualidade das águas e para analisar as condições em que vivem no Tocantins, pesquisadores vão participar de uma expedição na região do Jalapão na próxima semana.

A espécie é considerada embaixador das águas e só existe em três pontos do Brasil: no Jalapão, na Chapada dos Veadeiros (GO) e na Serra da Canastra (MG). Como o Tocantins possui a menor quantidade de indivíduos, as equipes vão coletar amostras de água na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins e na Área de Proteção Ambiental Jalapão (APA Jalapão) para saber como está o habitat do pato-mergulhão.

Segundo o médico veterinário Alexandre Resende, que faz parte do Plano de Ação Nacional (PAN) para conservação de espécies ameaçadas de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a presença ou ausência da ave pode indicar a situação dos afluentes, se estão de acordo com parâmetros de qualidade da água ou se existe possível contaminação.

“O pato-mergulhão é uma das espécies de aves aquáticas mais raras do mundo, existem por volta de 200 a 250 indivíduos em vida livre nas três áreas do bioma cerrado hoje. O animal está em declínio populacional porque ele é bioindicador, ou seja, onde ele existe aquele ecossistema está em equilíbrio”, afirmou.

O nome do pato vem da forma como ele age para se alimentar, mergulhando em rios. Por isso, segundo o veterinário, a ave só sobrevive em águas cristalinas e correntes.

“Ele mergulha para caçar peixes, então ele precisa enxergar para caçar. Então ele gosta de água em corredeira, ele não fica em represa porque precisa de água corrente para poder caçar. É muito importante o bioma estar em equilíbrio e isso vai desde mata ciliar preservada, a qualidade da água do rio, tanto que ele não fica em água turva ou quando começa a ter contaminação. Se tiver sujeira naquela água, o animal some. Ele é muito exigente quanto ao habitat dele”, explicou Alexandre.

Proteção da menor população

A expedição contará com pesquisadores do ICMBio, do Instituto Pato-Mergulhão, Instituto Cerrado Brasil e outras entidades ligadas à preservação ambiental. As equipes vão dar início ao trajeto no Rio Novo a partir de quinta-feira (23) e por três dias, vão ficar imersos ao ambiente em que vive a menor população da ave aquática rara.

O objetivo é coletar amostrar para a realização de análises físico-químicas e identificação de parâmetros como pH e temperatura da água, e saber se há a presença de agrotóxicos que podem afetar a sobrevivência da espécie. Também será feito, in loco, exames para saber se há bactérias na água que possa afetar a ave e até outras espécies.

“No Jalapão a gente tem um grande problema, que tem a menor população em vida livre e ela está em declínio populacional. Se nada for feito ele vai desaparecer”, alertou.

Alexandre destacou há 10 anos atua no trabalho de coletar ovos do pato-mergulhão para o incentivo da reprodução em ambiente seguro. No Zoo Parque de Itatiba, em São Paulo, já existem pelo menos 70 indivíduos em cuidados e a ideia é, em algum momento, introduzi-los no habitat natural. Mas para que isso seja possível, o veterinário reforça a importância da preservação ambiental.

“Para que tenha um número, uma genética, para que ele consiga [sobreviver] sozinho, sem a ação do ser humano. Mas para isso a gente tem que reproduzir ainda muito o pato e segurar os habitats, porque não adianta reproduzir o animal e não ter onde soltar”, disse.

“Protegendo o pato a gente está protegendo indiretamente os habitats e a qualidade da água, que por consequência vai ajudar o ser humano a ter água limpa, água de qualidade”, reafirmou Alexandre.

Além do jalapão, o trabalho de análise dos rios onde vivem a espécie também está sendo feito na Chapada dos Veadeiros e em breve as equipes vão para a Serra da Canastra. “Protegendo o pato-mergulhão que é uma espécie bandeira, guarda-chuva como chamamos, a gente está salvando o ecossistema inteiro e várias outras espécies que estão ali debaixo, convivendo com o pato, por isso ele é tão importante”, completou.

Fonte: G1-TO

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